O jornal “A Redação” comemora neste mês seu décimo aniversário, sempre prestando um excelente serviço à sociedade, ao cumprir sua missão de informar, formar opinião e denunciar as mazelas sociais. Apura e esclarece os fatos que afetam diretamente a população, fornece indicadores para o debate das mais variadas questões e contribui para o livre exercício da cidadania.
Os tempos atuais, difíceis em todos os sentidos, exigem uma reflexão permanente do papel de cada um e da imprensa, em particular. As mídias sociais surgiram de repente, atropelaram os acontecimentos, passaram a ditar regras e comportamento, e nos deixaram atônitos, por sua rapidez no noticiar, seu linguajar despojado e seu descompromisso, muitas vezes ferindo a ética e o bom senso.
Os grupos que as utilizam radicalizaram seu discurso, fomentando o ódio e a intolerância, esvaziaram o debate e a prudência, destroem reputações e se vangloriam dessas atitudes, na maioria insensatas e inconsequentes. Nessa disputa por espaço, tentam justificar o indefensável, reduzir o “inimigo” e enaltecer procedimentos que o outro lado critica.
Um dos principais teóricos da comunicação no país, o professor José Marques de Melo afirmou que “é fundamental ouvir a sociedade, porque o jornalismo é o oxigênio da democracia”.
Nessa mesma direção, o jornalista Luís Boaventura, coordenador do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Joaquim Nabuco, de Recife, PE, ressalta que a liberdade de imprensa é fundamental para a manutenção do sistema político. “Não existe democracia, e uma sociedade livre, sem a presença de uma imprensa livre, que possa informar à população sobre o que acontece, denunciar os desmandos e irregularidades. As pessoas precisam de informações para que possam formar sua própria opinião, a partir de uma diversidade de olhares e opiniões diante de um mesmo fato”, afirmou.
Esse papel ganha destaque no momento em que cresce a disseminação de falsas informações, que tentam prejudicar a compreensão dos atos e fatos, e a imprensa preenche esse vazio, ao mostrar os acontecimentos em toda a sua extensão, estimulando a discussão e apontando os dois lados, com suas contradições e suas versões.
O jornal “A Redação”, que surgiu nesse momento de transformações, acompanha essa evolução rápida dos meios sociais e assume um papel que a imprensa, com sua responsabilidade, sabe exercer, procurando fazer prevalecer a informação correta.
Profissional que se destacou pelo seu talento e experiência, o jornalista João Carlos Unes foi feliz nessa iniciativa, compreendendo o momento e o alcance dos novos veículos num mundo em rápidas mutações, com nova linguagem, de frases mais curtas e textos menores.
Sou de um tempo em que se caprichava mais na elaboração de uma matéria, se enriquecia os textos com detalhes interessantes, e não se preocupava com o tamanho da reportagem.
Hoje procuro me enquadrar nesses novos tempos, mas ainda viajo na construção de uma história, de um fato, valorizando pormenores, para enriquecer e ampliar cada instante descrito, cada pessoa e cada circunstância.
Há 20 anos dedico uma parte de meu tempo para escrever sobre a família Naves, à qual pertenço. Já tivemos uma revista impressa, com nove edições; um boletim de notícias, com mais de 260 números, via internet; e vamos reeditar este ano o livro que conta a nossa história familiar, com mais de 370 anos de Brasil. O primeiro parente, João de Almeida Naves, português, chegou ao país em 1650 e formou a nossa árvore genealógica. O livro foi lançado no II Encontro Nacional da Família Naves, realizado em 2012, em Araguari, MG, com tiragem reduzida. Agora, a historiadora Maria Helena Fernandes Cardoso concluiu a revisão da obra que escreveu com a irmã Vicentina Naves Fernandes, já falecida, e o novo material está sendo formatado para encaminhamento à gráfica.
Faço essas explicações para justificar as numerosas matérias a respeito da família que escrevo no jornal “A Redação”, desde que, em 2013, mantive o primeiro contato e passei a enviar minhas colaborações, algumas mais extensas, outras menos. Continuo recebendo informações dos familiares e procuro dar um roteiro jornalístico a elas, para mostrar a contribuição de cada um em sua área, pois defendo que todos temos algo para contar, basta valorizar cada história.
O jornal soube se posicionar e conquistar leitores, por sua linha editorial aberta e eclética, sua equipe dinâmica e ativa, dando uma ampla visão do momento e dos fatos que realmente interessam à sociedade.
Saúdo o jornal “A Redação” pelos 10 anos, por oportunizar a todos darem sua colaboração por uma informação mais segura e verdadeira. Ressalto esse ambiente, amplo e democrático, como fundamental na atualidade, para combater a desinformação e a agressão gratuita de alguns grupos, e propiciar uma leitura que nos enriqueça e nos complete.
Esses 10 anos constituem, na verdade, um importante marco aberto à pluralidade das ideias e dos projetos.
*Jales Naves é jornalista e historiador, presidiu a Associação Goiana de Imprensa (AGI) em dois mandatos consecutivos (1985-1991) e ocupa a Cadeira nº 30 da Academia de Letras e Artes de Caldas Novas.