Os cem primeiros dias do novo governo estadual, de Ronaldo Caiado, não nos deixam nada a comemorar. Um discurso único que tenta se beneficiar de tudo aquilo que é bem-vindo e se livrar de tudo o que inquieta o povo. Mas a campanha já acabou.
Ronaldo Caiado tem atuado como um clássico populista, que atribui a outro, ao passado, ao governo anterior, os seus próprios erros e tenta barganhar com as conquistas, mesmo que não seja ele o responsável por elas. Abriu mão de ser um estadista. É preciso lembrar, inclusive, que o próprio Ronaldo Caiado e seu partido fizeram parte por 16 anos do governo anterior, e indicou pessoalmente José Eliton como vice.
O primeiro pecado do atual governo, seu calcanhar de Aquiles, é o atraso no salário dos servidores. O governo diz não ter dinheiro, mas consegue pagar o mês de janeiro e deixar ainda em atraso o ordenamento de dezembro, para seguir culpando seu antecessor, com populismo barato e mentiroso.
O nepotismo, prática abjeta no poder público, é sem dúvida um atraso do governo Caiado. São mais de 20 os parentes do governador com cargos de confiança em seu mandato. A prática de inchar a máquina pública com os “carrapatos”, como ele próprio denominava aos famosos “cabides de emprego”, segue sendo a prática permanente desse governo. Prioriza seus interesses pessoais aos interesses públicos.
A situação da nossa malha rodoviária é calamitosa, mesmo existindo recursos públicos federais específicos para manutenção das estradas, oriundas da exportação de petróleo brasileiro. Não há até hoje diretores responsáveis pela manutenção das nossas rodovias nomeados pelo governo. São 100 dias de imobilidade e muito faltório.
É revoltante ainda o descaso do atual governo com as políticas públicas. Ronaldo Caiado só não acabou com o Programa Jovem Cidadão porque nós denunciamos o desmonte e que hoje está funcionando ainda por decisão liminar da justiça, garantindo o primeiro emprego de 5 mil jovens em todo o Estado. O caos se espalha também na educação e saúde. São mais de 50 escolas de tempo integral desativadas na atual administração. O caos no Hospital Materno-Infantil denuncia também a incapacidade do atual governo em agir rapidamente para reestruturar o setor.
Os cem primeiros dias deste governo deve ser escrito com “s”: sem condição de apresentar qualquer novo projeto de administração pública. Está preso ao passado e não consegue fazer o futuro nascer. É preciso construir um novo compromisso com o crescimento, com a atenção aos serviços públicos em nosso estado, com uma coalização que faça a administração pública funcionar. Só listamos aqui alguns pecados do novo mas velho governo. Colocamos nosso mandato à disposição para a construção deste futuro.

*Lucas Calil é deputado estadual em Goiás