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Por que você faz isso no trânsito?

21.08.2014 - 11:53:15
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Goiânia – Andar de carro pelas ruas de Goiânia é, antes de tudo, um fenomenal exercício de transposição de pensamentos. Com todos os conceitos e preconceitos que você colecionou ao longo de sua vida, o jogo consiste em pensar na razão que leva o outro que está ao lado (no sinal, no cruzamento, ultrapassando, no engarrafamento) está agindo. A pergunta é: o que diabos se passa pela doida cabeça desse indivíduo? Meu amigo, é trabalho para Professor Xavier nenhum botar defeito. Pode chamar a Jean Grey aí para ajudar!

Em minha rota diária, encaro duas obras de viadutos. Aquilo que já é um transtorno por si só, ganha ares inacreditavelmente terríveis perante o mau comportamento geral do motorista goianiense. O que eu gostaria de compreender é a razão que leva a pessoa, que está vendo tudo engarrafado na frente, colar na bunda do carro dianteiro e fechar o cruzamento. Qual razão, meu Deus? Alguém nos ajude, Lázaro, ops, Professor Xavier, a entender.

Além de não andar dois metros adiante, o cara interrompe o fluxo da via perpendicular. “Ah, mas o sinal estava verde e eu podia ir!”. Sim, mas ir para onde? Estava tudo parado, meu amigo… Vai entender. E pior ainda são os imbecis que, vendo você respeitar o cruzamento, começam buzinar atrás para que você vá. Mais um trabalho para os X-Men de poderes psíquicos.

Outra séria dúvida que me acompanha é entender porque as pessoas acham que quando você dá seta para mudar de faixa, em ato contínuo, elas são obrigadas a acelerar. Em que cultura é considerado desonra permitir que alguém troque de faixa no espaço vago da pista em frente ao carro que você dirige?

Será uma questão fálica de ordem psicanalítica? Será alguma espécie de síndrome endêmica da região do Cerrado? Será a baixa umidade do ar? Para mim, esse é um mistério maior que qualquer santa que chore sangue em uma igrejinha remota.

Também tenho imensa dificuldade em entender as motivações de quem buzina por nada. O cara está vendo alguém fazer uma baliza logo adiante, mas não pode esperar alguns segundos. Ele mete a mão na buzina. Como se isso fosse fazer a vaga aumentar, a pessoa se tornar um ás da baliza ou o carro se teletransportar para o espaço almejado ao lado da calçada. Se bem que em cidade em que político acha que vai ganhar voto com foguetório ou jingle ruim em carro de som passeando pela cidade, tudo é possível.

Se você tiver a resposta para alguma dessas dúvidas, por favor, me responda. Tenho muito a aprender com sua sabedoria e capacidade de entender a louca cabeça do motorista ao lado.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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