Goiânia – Vamos colocar as cartas na mesa: o horário eleitoral gratuito não serve para nada. Nada mesmo. Não serve ao candidato, não serve à população. Sua existência não tem mais o menor sentido.
Parte considerável (a maior?) do orçamento de uma campanha majoritária é dedicada à produção dos programas de televisão e rádio de um candidato. É muita grana para bancar locações, estúdios, atores, locutores, apresentadores, câmeras, equipamentos mil… Enfim, a lista é grande. O custo, idem.
A raiz da corrupção brasileira, que está na fortuna doada legal e por fora às campanhas, tem como forte contribuinte a existência do horário eleitoral. Se uma das premissas da eternamente prometida e nunca concretizada reforma política é o barateamento das campanhas, acabar com os programas seria um grande passo nessa direção.
Além disso, o horário eleitoral não ajuda em nada a escolha do eleitor. Você confia em um comercial de determinado refrigerante falando que ele é o melhor? Pois é, eu também não. Pelo simples fato de que aquilo é comercial. Ou seja, é para vender. Não há compromisso real com os fatos. O princípio que norteia tudo ali é a tentativa convencê-lo a comprar determinado produto. No caso das campanhas, votar em um candidato em detrimento de outro.
Quem se baseia nesses programas para decidir o voto está usando uma mentira publicitária como apoio. O que inegavelmente é um equívoco.
Como substituição, uma ideia seria a instituição do debate semanal obrigatório. Em duas horas por semana, os candidatos a cargos majoritários seriam obrigados a conversar entre si ao vivo, com regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral e transmitidas em cadeia de rádio e TV. Embora aqui também seja possível a ação escamoteadora dos marqueteiros, o ambiente poderia ser mais revelador do que como é feito atualmente.
Por ser ao vivo, o acaso pode mostrar sua cara e deixar com que o eleitor conheça mas a verdade de cada postulante. Seria uma informação com menor tempo total de exposição, mas com vantagens na qualidade daquilo que é apresentado. Mas conversa franca, menos imagens sentimentaloides.
Para os cargos proporcionais, a campanha tem que ser na rua mesmo, no corpo a corpo. Ali é que se ganha o voto para quem quer ser representante da sociedade nos parlamentos. Gosto da ideia do voto distrital misto. Nesse caso, o contato teria que ser ainda mais intenso. Definitivamente, não são aqueles poucos segundos televisivos ou radiofônicos que ganham o voto para quem pleiteia esses postos.
Por fim, seríamos poupados da chuva de bizarrices que atola o rádio e televisão nesse período. Com o fim do palanque eletrônico, o candidato teria que encarar o mundo real, com menos comercial de si mesmo e mais olho no olho da população.
Será que alguém compraria essa briga no Congresso Nacional?