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O momento é de reconciliação

28.10.2014 - 14:58:30
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Goiânia – Quem não conhece alguém que deixou de conversar com um amigo de infância durante a campanha? Quem você bloqueou no Facebook por discordar frontalmente das opiniões políticas? Quantas famílias estão fragmentadas por conta do acirramento eleitoral observado nas últimas semanas? Quantos grupos de WhatsApp você abandonou por não aguentar mais os memes zoando seu candidato? Todo mundo tem uma história absurda para contar acerca das brigas homéricas que as duas principais orientações partidárias protagonizaram recentemente.

Agora que cerca de 3,5 milhões de pessoas optaram por um lado perante outro, que tal voltarmos a ser bons amigos? Como o belo funk-ska do War nos diz, why can't we be friends? O cenário não é apocalíptico para o Brasil, independente de quem ganhasse. O cenário é de aperto para 2015, independente de quem ganhasse. 

O bom de ficar no mesmo grupo político é que as dificuldades que se anunciam não poderão ser debitadas à infame herança maldita. O ruim de ficar no mesmo grupo político é que a alternância benéfica na oxigenação das estruturas institucionais em uma democracia fica adiada. Mas o jogo é assim mesmo. Quem disse que a democracia é perfeita? Winston Churchill já nos alertava que a democracia é a pior forma de governo existente, salvo todas as outras demais inventadas. 

A vantagem maior da democracia é anular posicionamentos extremistas e, por se fiar na maioria que se manifesta, pegar sempre um caminho médio, mais de centro. A radicalização é mais difícil em regimes democráticos pela necessidade de suporte na maioria. Essa é a virtude ainda hoje não superada da democracia.

Voltando ao Brasil, essa característica da democracia fica muito clara. Foram encaminhados para o segundo turno grupos políticos que, deixando o olhar apaixonado de lado, coincidem em, talvez, 95% das formas de agir. Os 5% restantes é que foram os responsáveis por tantas brigas, por tamanha passionalidade. E é justamente quando estamos embebidos pelo sentimento que a razão não consegue aflorar. Foi o que aconteceu durante o processo: as diferenças estavam tão na pele que impedia a percepção de que o grande corpo era exatamente o mesmo.

As redes sociais potencializam ainda mais essa visão passional. Pela típica informalidade do meio e a mediação da tecnologia no lugar do olho no olho, coisas que não seriam ditas em outras ocasiões acabam sendo proferidas. A virulência aumenta. Mesmo com todo os cliques, links e memes, ainda somos aqueles bichos que viviam nas cavernas em busca de comida e procriação para a preservação de nossos valiosos genes.

E que voltem as groselhas de sempre. O Brasileirão está na reta final, o reality show está voltando a ser pauta de debate e as fotos fofinhas de animais de estimação ou crianças lindas ganham novamente a timeline

Em 2018, vamos voltar ao ringue. Tomara que sem tantos golpes baixos. Embora eu não tenha esperança de que isso seja possível…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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