Goiânia – Há anos se nota em Goiânia, como em outras cidades do Brasil e do mundo, a intensa retirada de árvores das calçadas, especialmente aquelas de grande porte. Também muito comum é a poda drástica realizada por companhias de eletricidade ou pela Prefeitura, que acabam por prejudicar e comprometer a saúde das árvores. Ambas as práticas se tornaram, de certa forma, “normais” e aceitas pela sociedade.
Mas em vez de ficar (só) reclamando, convidei as pessoas para passearem no Centro, seguindo um roteiro para conhecer e apreciar as Árvores de Goiânia que ainda temos e que são muito bonitas. A inspiração veio dos passeios feitos pelo Árvores Vivas e Rios e Ruas em São Paulo e deve gerar mais roteiros por nossas calçadas, praças e parques. No mínimo, caminharemos mais por aí, ao lado de boas companhias. E isso faz toda a diferença quando se quer uma cidade melhor.
Nosso ponto de encontro foi diante de um Flamboyant (Delonix regia), espécie exótica originária de Madagascar. O Flamboyant, que nesta época nos presenteia com sua linda fase de floração, está entre as 15 mais presentes na arborização urbana da capital e esteve entre as primeiras a ocupar as calçadas de Goiânia. A seu lado nesse “pioneirismo”, está o Ficus microcarpa. Ainda podemos ver alguns poucos exemplares dessa frondosa árvore ao longo da avenida Goiás e também na praça Cívica, por onde o passeio percorreu. Mas, apesar de belíssima, a espécie não é recomendada para o meio urbano por causa de suas raízes superficiais e “agressivas”, que levantam pavimentos e danificam construções.
Vimos também, no trajeto, algumas belas (outras nem tanto) mongubas – quase todas comprometidas por pragas. Isso não quer dizer que todas as mongubas devam ser derrubadas, já que ainda há muitos exemplares saudáveis na cidade. Já reparou que sua sombra oferece um frescor inigualável, nos dias de calor intenso?
E o que mais? Ipês rosas (Tabebuia rosea), nós de porco (Physocalymma scaberrimum), Amendoeiras ou Sete Copas (Terminalia catappa), Oitis (Licania tomentosa), Tamarindeiros (Tamarindus indica), Cassias javanicas, Sibipirunas (Caesalpinia pluviosa)… Tudo isso e mais em um trajeto de apenas sete quadras e um pedaço da Praça Cívica, terminando na entrada do Bosque dos Buritis.
O passeio fez parte da programação para o aniversário de 81 anos de Goiânia, “provocada” pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO) e intitulada Ocupa Goiânia. O que o CAU fez foi convocar um pessoal que já vinha fazendo ações pela cidade, além de estimular outras pessoas a tirar projetos da gaveta. O objetivo maior de tudo isso era trazer à tona a importância da apropriação de espaços urbanos, na busca por uma cidade melhor para habitarmos.
*Texto adaptado do originalmente publicado no site do CAU-GO.