Goiânia – O segmento cultural recebeu ontem do governador Marconi Perillo um soco na boca do estômago que até agora não conseguiu recuperar o ar. A decisão de fundir a pasta da Cultura a colocando como anexo da Educação e ainda competindo espaço com Esporte e Lazer foi recebida com unanimidade pelo setor: 100% de desaprovação.
Tem quem está falando horrores nas redes sociais, tem quem está calado – de forma constrangida, é preciso apontar. Compreensível. Cada um sabe onde o sapato aperta seu calo. Mas até o silêncio nesse momento diz muito.
Marconi podia se orgulhar de proferir aos quatro cantos que tinha colocado novamente a Cultura no patamar que lhe é digno, na primeira divisão do Executivo, tal qual fosse um campeonato de futebol. Ele recriou a Secretaria de Estado da Cultura. Esse mérito é indiscutivelmente de seu terceiro mandato.
O governador corrigiu um retrocesso histórico imposto por Iris Rezende no início do segundo mandato do peemedebista, quando extinguiu a Secretaria de Cultura que se destacava no governo Henrique Santillo e a transformou na Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira. Iris rebaixou a Cultura do primeiro para o segundo escalão. E jamais foi perdoado pelo segmento por tal decisão equivocada.
Quando Marconi assumiu o governo pela primeira vez, transformou a fundação em agência. Ou seja, trocou seis por meia dúzia. A mudança real aconteceu só no terceiro mandato, quando a Secult foi recriada e o tucano recebeu justos aplausos.
Como agora está sendo justamente criticado. Marconi conseguiu uma proeza digna de nota: rebaixou a Cultura direto da primeira para a terceira divisão. Dentro do que foi apresentado ontem, a Cultura é somente um insignificante penduricalho dentro da Educação.
O efeito vai além do campo simbólico, de demonstrar o quão prioritária é a Cultura para o Governo. É também de ordem prática. Goiás conseguiu entrar para o Sistema Nacional de Cultura (SNC) por ter, dentre outras ações, recriado a Secult. Dessa forma, Goiás não poderá receber recursos oriundos do Fundo Nacional de Cultura.
Outro ponto que preciso destacar é a atenção que o setor receberá perante os desafios que a Educação naturalmente impõem. Veja o que o Guia de Orientações do SNC diz em sua página 36: “Em geral, quando a cultura está junto com a educação, ela é considerada de forma marginal, mesmo porque a educação tem muito mais recursos (vinculados constitucionalmente) e exigências legais que naturalmente acabam absorvendo o gestor”.
Impossível discordar. Como a Cultura será prioridade com uma greve de professores? Com uma escola caindo aos pedaços no, sei lá, Nordeste goiano? Com os problemas mil que um secretário de Educação já tem que ordinariamente enfrentar?
Se o projeto nacional de Marconi significa o rebaixamento da Cultura em Goiás, que seja abortado agora. Pelo bem de todos goianos. Espero que a pressão do segmento faça com que o governador reveja essa equivocada decisão. O barulho já foi vencedor em crises anteriores, como a da Lei Goyazes e do Fundo Estadual de Arte e Cultura. Vamos ver se dessa vez a Cultura novamente terá força para se recuperar e reverter esse duro golpe.