A obra do complexo começou em março de 2005 e, inaugurado em 2006 (um ano antes do previsto), o CCON esteve aberto apenas em eventos esporádicos e permaneceu embargado durante boa parte do governo Alcides Rodrigues. No total, esta última reforma custou mais de R$3,6 milhões aos cofres públicos. A conta pode ser anexada a todos os outros investimentos já realizados no CCON que, oficialmente, somam cerca de R$50 milhões.
A Agetop também se recusou a responder o AR sobre suposta dívida do Estado em relação ao escritório do sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, João Niemeyer. Segundo Nasr Chaul, não há quaisquer dívidas pendentes da Agepel, agência que ele presidia à época, em relação à família Niemeyer. “Nós nunca devemos o arquiteto. O que ficou foi uma dívida de uma das cinco parcelas da Agetop para o escritório do João Niemeyer. Quando essa última parcela foi liberada, a documentação da empresa dele não estava em ordem para receber,” relembra Chaul.
No dia 17/11, será aberta a exposição “Terra Brasileira”, da fotógrafa carioca Cristina Oldemburg, que será realizada na Galeria D. J. Oliveira. Já no próximo dia 29, um evento para convidados vips traz um desfile de joias realizado pela Anglo Gold, terceira maior mineradora de ouro do mundo. Quem fará a trilha sonora ao vivo da festa é ninguém menos do que Ney Matogrosso.
Melhorias
E o que muda com essa esperada reforma? Muita coisa. Todos os prédios do CCON estão recebendo algum tipo de retoque, transformação ou complemento. No Palácio da Música Belkiss Spenzière, o espelho d’água recebeu impermeabilização com pastilhas, troca do piso de carpete, melhorias nos banheiros e um novo sistema de acústica. A acústica ruim do espaço era a principal reivindicação dos produtores culturais que levaram shows ao espaço. Outra importante melhoria é a reforma da rampa que dá acesso ao interior da cúpula. Antes muito íngreme, a rampa agora conta com escadas, um espaço destinado a cadeirantes e novo planejamento que evita alagamentos na porta do teatro, o que ocorria com frequência durante as chuvas. A cúpula do Palácio também foi totalmente restaurada para retirar ondulações, mas ainda precisa receber uma nova pintura.
No Museu de Arte Contemporânea, o principal trabalho foi a retirada das infiltrações, que prejudicavam tanto o prédio quanto as galerias subterrâneas. Um material especial também foi aplicado nas paredes externas do museu, para deixar a superfície mais resistente e a pintura mais homogênea. A novidade do espaço é que a Orquestra de Câmara Goyazes deve ocupar a galeria Cleber Gouvêa, que será modificada para receber os músicos. Já no Monumento aos Direitos Humanos, poucas alterações foram necessárias. A pirâmide vermelha – que está cor-de-rosa pela deterioração – deve receber uma camada de pintura com material emborrachado e mais resistente. O Auditório Lygia Rassi e o espaço Célia Câmara, que ficam no interior do Monumento, estão recebendo pequenos reparos, como pintura e prevenção de infiltrações.
A polêmica biblioteca
O prédio da Biblioteca, alvo de polêmicas, é o espaço mais aguardado e o que mais está sendo aperfeiçoado. A estrutura nunca esteve aberta ao público e a grande critica era em relação à segurança dos pisos. Dizia-se que, caso os andares fossem de fato abastecidos por livros (sempre houve apenas estantes vazias no local), o concreto cederia. Chaul afirma que a polêmica foi causada por “puro oportunismo político” . O gestor explica que, no início, a biblioteca era sim planejada para suportar três andares de livros físicos. Mas, na hora de executar o projeto, o espaço foi repensado. “Nós tivemos a idéia de trazer a Agepel para cá na época e também encomendamos para o Professor Joaquim Siqueira, que já faleceu, o projeto de uma Biblioteca Virtual, tudo isso no segundo andar. Então não havia mais necessidade de uma construção que suportasse todos esses livros”, diz ele.
Portanto, apenas o primeiro andar, que será abastecido por livros físicos voltados exclusivamente para a Cultura, é que possui capacidade para suportar o peso. São 600kg por m2, enquanto que, no segundo andar e no terceiro, a capacidade é de 300kg por m2. “O mesmo que suporta o Palácio Pedro Ludovico, centro administrativo do Governo”, acrescenta o gestor.
A divisão do prédio da Biblioteca, por fim, seguirá a seguinte lógica: o primeiro andar comportará 50 mil livros físicos. Já no segundo será instalada a administração do CCON, um mini auditório com cerca de 140 lugares e uma biblioteca virtual, com espaço exclusivo para crianças. O terceiro, segundo Chaul, abrigará uma surpresa. “É uma coisa maravilhosa, mas não posso adiantar. Vai ser uma mistura de história com arquitetura fantástica, de brilhar os olhos”. O AR foi atrás do projeto inicial do prédio para investigar as possibilidades da surpresa e, no terceiro andar, deveria ser instalado um museu em homenagem ao escritor e historiador Paulo Bertran. Um restaurante panorâmico, instalado na cobertura do prédio, dois cinemas e espaço comercial nas galerias do subsolo completam a estrutura da Biblioteca.
A reportagem pode subir todos os andares e, percorrendo os espaços, é possível perceber que ainda há um bocado de alterações a serem feitas em pouco menos de 40 dias. Mas, caso o prometido seja cumprido, a Biblioteca do CCON será um espaço de interação único no Estado.
Licitações e fundo
Para que seja possível o funcionamento pleno dos dois cinemas, restaurante e bares, quatro salas comercias e o estacionamento do centro cultural, foi necessário um pedido de licitação, encaminhado à Casa Civil, unidade do governo do qual o CCON faz parte. “Nós fizemos levantamento dos espaços, atualizamos as tabelas de preços de 2006, fizemos consultas a três instituições vinculadas a restaurantes e cinemas para ver que tipo de preço seria compatível. Fizemos a média ponderada disso, montamos toda a estrutura do processo e encaminhamos à Casa Civil.”
Segundo Chaul, deve demorar cerca de dois meses para o início da licitação. Depois disso, o vencedor de cada área terá de dois a três meses disponibilizados para montar seu respectivo espaço, sem custos. A renda para manutenção do CCON virá do aluguel desses espaços e também de um fundo especial, criado em junho de 2011 e que vigora a partir do ano que vem. “Todos os recursos de emendas parlamentares e parcerias cairão direto no fundo. Isso vai nos dar mais agilidade para gerir o centro cultural”, acrescenta.
Transporte
A distância do centro da capital e as reclamações da dificuldade de acesso também têm sido uma preocupação da atual gestão. Depois de quatro reuniões com a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), ficou definido que o ponto em frente ao Shopping Flamboyant servirá como ponto de chegada dos ônibus e, de lá, sairão microônibus de meia em meia hora com destino ao CCON. “Em dias de evento, haverá um fluxo maior de microônibus para atender à demanda”, finaliza Chaul.