Goiânia – A piadinha da virada de ano começa a fazer todo sentido. No Réveillon, diziam que não estávamos entrando em 2015 e sim em dois mil e crise. Nada mais correto. As vacas magras chegaram e a capa da edição latino-americana da revista The Economist é só a constatação de que o atoleiro que a publicação aponta já dificulta nosso caminhar.
Quem é comerciante ou convive com quem tem nas vendas seu ofício sabe que o cenário mudou. E para pior. Para muito pior. O dinheiro sumiu. Quem tem, a minoria, está receoso em gastar. O amanhã não é promissor para gastar com aquilo que não é essencial. Quem não tem, a maioria, está correndo atrás de garantir algum para o básico. Aluguel, prestações e principalmente supermercado. O cenário não é nada estimulante e a calmaria, se vier, será somente para 2017. Se prepare…
Estamos somente colhendo aquilo que plantamos. O desenvolvimento calcado na exportação de commodities e consumo interno tem dessas coisas. É crescer com os pés de barro. Uma estrutura frágil que pode ruir a qualquer dificuldade que pinte no horizonte. Bastou o cenário externo ficar desfavorável para que o problema surgisse como um monstro. O preço das commodities caiu e afundou junto a família brasileira.
Vemos nossos salários sumirem nas prateleiras do supermercado graças ao dragão da inflação. O preço para encher um carrinho subiu de tal forma que já é preciso fazer escolhas e deixar algumas coisas na cestinha ao lado do caixa. A bonança passou e o mundo cor-de-rosa que Dilma Rousseff nos vendeu nas eleições era tão sólido quanto um arco-íris depois da chuva que rapidamente desaparece.
Ao fim de dois meses de mandato, a sensação é de que a festa já está nas últimas. Já dá para ver o DJ abaixando o som e tocando aquela balada para mandar as pessoas para casa, a luz acendeu no salão, a equipe de funcionários recolhe as mesas e a limpeza está com o rodo na mão jogando desinfetante no chão. Mas ainda temos três anos e dez meses dessa administração democraticamente reeleita. Serão longos anos.
Puxar o freio de mão é a atitude mais prudente. Talvez deixar aquela viagem para a gringa quando o dólar der uma abaixada (sabe-se lá quando e se é que a moeda americana vai cair), postergar um pouco aquela aguardada reforma em casa, evitar dividir compras no cartão de crédito e segurar a onda nos gastos gerais.
A deliquescência brasileira é real. Só não viu isso quem é tão militante que se transformou em fantoche. Contrariando aquele comercial que diz que great times are coming, só consigo ver tempestades no nosso caminho. O mais correto seria dizer hard times are coming.