Vocês sacaram que tudo começou a pegar um clima diferente? As coisas estão mais soltas, mais fluidas, com um astral de menos estresse. Parece que todos os problemas estão mais diluídos e os assuntos das rodinhas de conversa fiada ainda mais fiados. Trocando essa ideia ontem com minha querida amiga Andrea Régis, ela definiu com maestria o que está acontecendo: “Em dezembro, tudo é liberado, tudo pode”. Bingo! Ela matou a charada. Essa realmente é a razão pela qual os ânimos estarem mais sossegados e a disposição geral é pela diversão. Dezembro é um mês que se caracteriza pelo clima de festas, não pelo clima de trabalho e canseiras.
Acho que o primeiro ponto que comprova são as confraternizações que pipocam ao longo desse mês. Praticamente todos os dias temos algum compromisso social que demanda nossa presença. Amigo secreto da firma, encontro da escola onde você fez o segundo grau, familiares distantes que lhe chamam para jantar… E como é de práxis nessas confraternizações, alguns bons drinks sempre rolam. Ou seja, somos impelidos a beber diariamente! Que sacrifício… Tenho amigos que entram tanto nesse clima que, durante dezembro, fazem questão de almoçar fora até nos dias de semana e sempre acompanhados de um vinho. Essa é a vida que eu quis! Todos os pecados gastronômicos e etílicos serão perdoados até o dia 2 de janeiro.
Outra amiga já opta pela extravagância. Ela diz que o mês em que você pode ser assumidamente brega sem ser alvo de uma saraivada de críticas é dezembro. E pode colocar neve falsa espalhada no quintal, pode enrolar a árvore com luzes cafonas no quarteirão inteiro, pode pendurar badulaques mil na casa toda que, quanto mais excesso, melhor fica. Tudo por conta da permissividade e complacência no coração de todos.
O dinheiro extra no bolso por conta do décimo terceiro, a presença de amigos que há muito não encontramos, os familiares que chegam para passar as festas na cidade… Esses também são fatores que colaboram com o clima mais solto do mês. É hora de colocar os papos em dia, presentear e ser presenteado, desejar boas festas para os desconhecidos. Todo esse sentimento coletivo contamina as decisões particulares que acabam sendo guiadas por esse relaxamento geral da sociedade.
E pensar que o clima já está assim quando não chegamos nem no dia 10 do mês… Imagine só como não será na semana do Natal? E que Deus nos dê fígado para passar incólume por esse dezembro.