José Cácio Júnior
Quem reclama do alto preço dos combustíveis já pode se preparar para um possível aumento no etanol no ano que vem. Queda na produção de cana e menor produtividade da safra 2012-2013 são as causas do possível reajuste. A colheita deste ano também deve ser 12% menor que em 2010. Os números foram apresentados em reunião com produtores na Federação de Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), nesta sexta-feira (9/12).
Apesar do panorama nada animador, o presidente do Sindicato das Indústrias de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, nega que o preço do etanol hidratado irá aumentar. Segundo ele, como o preço do combustível depende da demanda, o etanol não terá ajuste no próximo ano. No entanto, admite que a produção dificilmente baterá o recorde de 2010, quando se colheram 556 milhões de toneladas de cana na região Centro-Sul.
A projeção para 2011 é de fechar com 490 toneladas de cana. A idade do canavial (em média quatro anos), colheita mecanizada em locais em que era prevista colheita manual, e período de seca em demasia diminuíram o ritmo do setor. Quanto mais nova é a cana, em relação ao plantio, melhor é o produto.
André Rocha apresentou planilha da Agência Nacional de Petróleo (ANP) com o preço médio na bomba de combustível nos Estados. Mesmo com menor produção, Goiás era o terceiro Estado onde abastecer era mais barato. “Em alguns momentos chegou a ser o primeiro, o mais barato. Então isso de produzir menos não significa, automaticamente, aumento no preço”, completa o presidente do sindicato.
A previsão de colheita da safra 2012-2013 só será conhecida no final de fevereiro, que coincide com o término do verão e do período chuvoso. Doutor em Economia Aplicada e professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), Alexandre Mendonça de Barros arriscou, em palestra ministrada antes de André, teto de 515 milhões de toneladas para a próxima colheita.
Responsável por 10% de toda produção nacional de etanol, o consumo em Goiás, até outubro deste ano, representava 8% do país. A demanda por combustível no Estado é de 3,4%, contra 34% de São Paulo e 10% de Minas Gerais. Mesmo assim, Goiás foi o único Estado, segundo André, que manteve, durante a safra, a paridade de 70% do preço de etanol e gasolina. Esta é a fórmula que demonstra quando é mais vantajoso abastecer com álcool.
Açúcar
André contestou a tese de que o açúcar foi o vilão do aumento no preço do etanol em 2008. Com preço mais vantajoso no mercado internacional, usineiros prefeririam produzir mais açúcar que etanol. Imaginava-se que apenas a diminuição da oferta impactaria no valor do produto.
Segundo André, a alta tributação, falta de investimentos do governo federal, menor área de plantio e idade avançada do canavial foram os principais motivos que elevaram os preços. “Açúcar não é o vilão do preço do etanol.”
Imposto
A política tributária do governo federal para o setor de combustível também foi alvo de críticas. A principal reclamação é a alta taxa de impostos imbutidas nos produtos. “O setor solicita desoneração do etanol como tem para os combustíveis fósseis (gasolina)”, cobra, citando a retirada do PIS e Confins dos produtos.
O presidente do Sifaeg também criticou a decisão do governo de diminuir para 20% a quantidade de álcool anidro na fórmula da gasolina. Para André, esta foi a única medida de intervenção do governo federal, que não se mostrou eficiente. “Não deveriam ter mexido na mistura da gasolina em outubro. Esta foi a única medida a curto prazo adotada.”
A quantidade da mistura é outro ponto que incomoda o setor. “Estamos preocupados pois vamos começar a nova safra sem saber como o governo vai definir a mistura entre etanol e gasolina.”
Principais dados do etanol em Goiás
Colheita
2010 – 556 milhões de hectares
2011 – 490 milhões de hectares (previsão)
Produção de açúcar
2010 – 34 milhões de toneladas
2011 – 32 milhões de toneladas (previsão)
Goiás produz 10% de toda cana-de-açúcar no Brasil
Goiás repesenta 3,4% do consumo nacional de etanol