Mais uma etapa de manifestações gerais contra o governo Dilma, marcada para este domingo (16/8), confirma que a grande maioria dos inconformados, revelados nas pesquisas recentes de opinião, não vai deixar que os líderes continuem a tingir o país com as máculas da corrupção e da incompetência, em nome de interesses particulares e da sobrevivência financeira ilícita de partidos.
Fissurados em canalizar o dinheiro público para fins escusos, políticos que conduzem os rumos da nação estão surdos aos reclames e descompromissados com as expectativas e anseios dos cidadãos de quaisquer regiões do país. Só não perceberam que o volume dessa “voz” nunca foi tão alto e ignorá-la, escondendo a real dimensão da crise, talvez seja a pior e a mais indesejada das atitudes.
Fala-se muito na inabilidade de articulação da base governista no Congresso Nacional em torno das grandes bandeiras, se é que elas existem. Igualmente, revelam-se cada vez mais graves os impactos no orçamento das famílias da falta de planejamento, das derrapadas fiscais e do sobrepeso da estrutura administrativa do Estado. Mas a maior das conseqüências da crise é o descompasso entre a gestão e o que cidadão espera dela.
Não há formas de se reaver essa “sintonia perdida” sem a implantação de uma política para os serviços públicos, baseada na eficiência. Para tanto, é necessário traçar rumos e ações, como resposta aos anseios que manifestantes insistem em repetir, retomando um diálogo há muito perdido, sem o qual só reinam desconfiança e descrédito.
Por outro lado, nenhuma estratégia irá reconquistar os descrentes se não for fundamentada em diretriz austera de redução da máquina e dos gastos públicos que sustentam privilégios e práticas criminosas. Se o Governo atual vai ou não conseguir criar condições dignas para um soerguimento, só o futuro dirá. Mas o que é certo é que a multidão vai continuar inundando as ruas porque é ao povo que pertence essa nação e é ele que precisa ser ouvido.