– O Santos vai ser goleado.
– Mas você está menosprezando o time brasileiro igual o Liverpool fez com o Flamengo. Será que o Barcelona não vai entrar com a mesma postura dos ingleses e levar um sacode?
– O Barcelona é que vai fazer igual ao Flamengo. Meter três no primeiro tempo e acabar com a história. Se o Santos der sorte, não toma mais no segundo tempo.
– Mas e o Neymar?
– Ele não vai jogar. Ninguém consegue jogar contra o Barcelona. Até quando eles perdem, ficam com a posse de bola quase o jogo todo.
Tive esse diálogo na manhã de sábado com meu cunhado, o também jornalista Danilo de Melo, em Pirenópolis. Estávamos na praça da Igreja da Matriz e conversávamos sobre o jogo que iria rolar na manhã seguinte. Eu acreditava que o Santos tinha chance. Sei que Neymar pode desequilibrar uma partida como fez várias vezes no Campeonato Brasileiro e na Libertadores. Acreditava que, com diz Galvão Bueno, é preciso respeitar o futebol brasileiro. Que inocente fui! O passeio o Barcelona deu no Santos foi épico. Eu sabia que o time era bom, todos elogiavam e tal, mas eu não tinha ideia do que era aquela esquadra catalã.
Aqui cabe abrir um parêntesis. Eu tenho completo desprezo pelo futebol em si. Eu amo o Goiás e gosto do Flamengo. Não tenho o menor interesse pelo universo do futebol fora desses dois times. Não sei como joga o Lucas no São Paulo, não sei qual a importância do Montillo no Cruzeiro, não sei por que o Palmeiras não deu certo com o Felipão. Não sei e não me interessa saber nada fora do âmbito do Goiás e do Flamengo. Quando se trata de futebol internacional então, piorou. Não sei absolutamente nada sobre os times gringos e acho completamente enfadonho assistir clássicos do campeonato inglês ou espanhol. Mais tedioso que programa da Ana Maria Braga.
O Danilo é o contrário. Ele gosta de futebol em sentido macro, sem apreço específico por um clube. Na infância, era corintiano influenciado pelo pai. Hoje, nutre uma pequena simpatia pelo Flamengo por conta da influência dos amigos. Mas não torce de verdade para ninguém. Gosta do futebol bem jogado, corrido, com habilidade. Por isso, sabe tudo do futebol europeu, nome dos jogadores, técnicos e como joga cada equipe. Ele é um apaixonado pelo esporte bretão e entende da coisa. Sua visão sobre o futebol é cosmopolita e a minha é paroquial. Fecha parêntesis.
Essa é a razão de não ter sido surpresa alguma para ele o chocolate que o Peixe levou e eu ter ficado completamente boquiaberto com o que vi na manhã de domingo. Um time que não dá carrinho e sempre rouba a bola do adversário. Não dá chutão e não perde a bola e nem toma sufoco. Joga ofensivo e não tem um atacante de ofício. Dá show e tem resultado. Fiquei de cara! Parecia que era um jogo de Playstation, onde quem jogava com o Barcelona era um daqueles moleques viciados de lan house e o Santos era alguém que perguntava para que serve o X ou o quadrado. Que show!
E sabendo que a seleção espanhola tem como base a equipe do Barcelona, fiquei com medo do que nos aguarda para 2014. Já os coloco como favoritos para erguer a taça aqui em nossa casa. Em condições normais, essa “selecinha” do Mano Menezes não consegue segurar a bronca de um timaço como aquele de forma alguma. Não sei se o Galvão está mais certo em sua frase como achava anteriormente. Acho que agora “é preciso respeitar o futebol do Barcelona” fica mais apropriado.