Uma pergunta que ouvi muito depois que escolhi o trajeto das férias desse ano foi a que intitula o texto. Não pensei que causaria estranheza optar por um estado do Nordeste e que, como todo estado nordestino, possui praias belas e fartas. Mas o fato é que a Paraíba não faz parte do roteiro clássico de turismo do Brasil. Bahia e Pernambuco saltam em primeiro lugar quando o assunto é viagens para o Nordeste. Ceará e Rio Grande do Norte correm nervoso na luta por essa posição de liderança e estão bem próximos. Sergipe e Alagoas são azarões. Enquanto isso, Paraíba, Maranhão e Piauí são completamente esquecidos da rota de viagens do cidadão médio. E foi justamente esse um dos pontos que me fez despertar o interesse em fazer turismo por essas bandas.
Eu já havia estado na Paraíba antes. Fiquei três ou quatro dias em João Pessoa e fiz uma viagem de dois dias a Monteiro (na região do Cariri Paraibano, a 305 quilômetros da capital) onde tive o prazer de conhecer a grande tocadora de pífano Zabé da Loca (se não saca o trampo dela, por favor, dê um Google agora no nome e saque a história da mulher). Esse curto período foi o suficiente para eu me apaixonar pelo local. Imagine uma Goiânia com 500 mil habitantes menos e com aquilo que todos falamos que falta para nossa cidade: o mar. Pois é, lhe apresento João Pessoa.
Por um tempo fiquei até obstinado com o plano de me mudar de mala e cuia para a cidade. Hoje, esse desejo não é tão latente mas também não foi descartado. É uma das hipóteses, uma das alternativas que tenho. Uma possibilidade. Alguns meses depois, minha filha mais velha, a Laila, teve a possibilidade de passar 10 dias em João Pessoa. Também voltou falando maravilhas do local. Não é possível que os dois olhares estariam equivocados.
Confesso que meu primeiro plano de viagem não era a Paraíba e sim o Paraná – outro estado que também é subjugado no roteiro turístico tradicional. Mas tivemos a interferência da minha mulher, a Andreia. Ela não havia conhecido a Paraíba ainda e não aguentava mais eu e a Laila dizendo o quanto o estado era legal. Ela foi a responsável pela decisão. E não dá para dizer que ela estava errada ao impor a viagem.
Nesses primeiros dias, as boas impressões anteriores só se confirmaram. Preços justos, povo afável (como é bem característico em todo Nordeste) e trânsito bem tranquilo se compararmos ao nosso. Além disso, a possibilidade de fazer uma caminhada na beira do mar no final da tarde, tomar uma água de coco e pensar um pouco aumenta pontos significativos na qualidade de vida.
Até agora, não tenho do que me queixar. A Paraíba é demais.