Ontem, fizemos o passeio que motivou a vinda da minha família na nossa viagem de férias ao Sertão Paraibano. Estamos em Sousa, mais de 400 quilômetros ao Oeste de João Pessoa. Nosso objetivo aqui era conhecer o Vale dos Dinossauros, um dos principais sítios paleontológicos do mundo. De responsabilidade do governo estadual, o local tem um pequeno museu e uma trilha simples de cerca de 50 metros que leva a um leito de rio intermitente, aqueles que secam no período de estiagem devido às características climáticas do Nordeste, que contém marcas de pegadas de dinossauros de cerca de 110 milhões de anos atrás.
Vale todo esforço para presenciar esse significativo marco. A primeira reflexão que o espaço nos proporciona é óbvia: a pequenez do ser humano perante a dimensão do planeta e toda sua história. Se pensarmos que a principal figura que influencia o pensamento ocidental nasceu há pouco mais de 2 mil anos e que o homem europeu pisou nesse continente há pouco mais de 500 anos, percebemos o nada que somos em perspectiva aos 110 milhões de anos em que a vida já estava comendo solta por essas terras. E a gente que se acha importante demais…
Outro ponto que fica claro é o desprezo que o brasileiro médio tem pelo patrimônio, aquele que não é o declarado no Imposto de Renda, é claro! A média de visitação do espaço é baixa, segundo o guia do local, o simpático e autodenominado Velho do Rio. Além disso, o estado de conservação do local é precário. A estrutura física do museu não condiz com a riqueza paleontológica que ali está guardada. Está prometida uma reforma para este ano, em parceria entre o governo estadual da Paraíba e a Petrobras com orçamento estimado em R$ 700 mil. Isso sim pode dar uma boa melhorada no espaço que demanda esse investimento sim.
O próprio paraibano conhece pouco o espaço. Passei o olho pelo livro de visitação do espaço e vi poucas vezes a sigla PB nas assinaturas. Muita gente de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco. Alguns do Distrito Federal. De Goiás, só vi as nossas assinaturas. E poucos paraibanos. Esse é o velho ditado que diz que santo de casa não faz milagre. Por exemplo, responda na lata: de todas as vezes que você foi a Pirenópolis ou Goiás, quantas visitou um museu? Pois é…
E nossa saga pelo sertão do Brasil continua hoje. Vamos deixar Sousa e pegar o caminho de volta à capital paraibana. Mas não vamos a João Pessoa. Vamos parar antes, em Campina Grande e conhecer o local que é famoso pela “maior festa de São João do Mundo”. Além disso, é terra do grande Genival Lacerda e tem uma praça em homenagem a Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Precisa de mais?