Andréa Luísa Teixeira*
Falar sobre pesquisa no Brasil é a mesma coisa que falar sobre religião. Alguns acreditam, outros não. E enquanto a sociedade não se posiciona, a política brasileira continua a não dar sua necessária e essencial relevância.
Assisti no dia 9 de junho, em transmissão ao vivo pela internet, um evento mais que emocionante, a entrega dos Prêmios da União Europeia de Patentes, a “European Inventor Award 2016”, divididos em seis categorias: Indústria; Pequenas e Médias Empresas; Pesquisa; Países Fora da União Européia; Prêmio Popular e o Prêmio pela Trajetória da Vida. O processo de seleção se baseia no trabalho de especialistas da União Europeia de Patentes e um júri internacional independente que avalia as inovações não apenas na sua originalidade tecnológica, mas também, do seu impacto econômico e social.
A festa ocorre anualmente em países diferentes. Este ano, em sua 11ª edição, foi realizada em Lisboa, com a presença do primeiro-ministro Antônio Costa, com um discurso que incentivava Portugal a desenvolver-se na área de pesquisa. Antônio Costa disse que a pesquisa é uma prioridade, e foi além: “A inovação é uma prioridade nacional e um desafio incontornável”. A seguir, discursos formais mostraram os pequenos filmes sobre os candidatos, suas pesquisas e as organizações ou universidades que os apoiam. A cada obra mostrada, ficava nítida a capacidade do ser humano de ir além do lugar comum, da busca pelo bem da humanidade, do unir-se pela melhoria do planeta. São pessoas envolvidas em uma tarefa que deve ser amada: a Pesquisa. Apenas algumas pessoas tiveram o privilégio de estar entre os contemplados. Entre eles estava Alain Carpentier (França), que criou um implante de coração artificial, que dura cinco anos, pelo menos, e que pode estender potencialmente a vida de um paciente por cerca de 230 milhões de batimentos cardíacos, enquanto o paciente aguarda a doação do coração; Alim-Louis Benabid (França), que tratou de mais de 150 mil pacientes com Parkinson com melhora significativa; Helen Lee (Inglaterra e França), que inventou um kit de diagnóstico múltiplo para áreas sem infraestrutura; Robert Langer (Estados Unidos) desenvolveu drogas dirigidas ao tratamento do câncer, que beneficiaram até agora mais de 1 milhão de pacientes no mundo todo; Anton van Zantan (Holanda e Alemanha), que patenteou um sistema de segurança para carros, evitando até 80% dos acidentes de automóveis relacionadas com a derrapagem para fora da estrada, e que desde o seu lançamento preveniu mais de 260 mil acidentes.
Descrevo apenas alguns dos selecionados deste prêmio, que deveria passar em cadeia nacional para todos os países, como fazem no Oscar, porém, estes prêmios fazem parte do verdadeiro filme diário de nossa sociedade.
Em contrapartida, no Brasil, acontece o contrário, temos nossas bolsas cortadas, suspensas e congeladas pelo órgão do Governo Federal destinado a esse fim. Temos pesquisadores fantásticos, mentes criativas, profissionais respeitados fora do Brasil. Mesmo assim, o que faz com que não nos demos conta da importância da pesquisa? Digo isso como agente participativo, tendo trabalhado durante 15 anos com o cargo de “pesquisadora” dentro de uma instituição. Sei das dificuldades e dos caminhos intrínsecos à pesquisa.
A sociedade precisa urgente ajudar nossos políticos a entenderem a dimensão do papel da Pesquisa, de seus caminhos e consequências para a sociedade que a apoia e não que a condena; e consequentemente, a ignora. Temos pesquisadores maravilhosos, como Nise da Silveira, que inovou em técnicas humanitárias no tratamento de doenças psiquiátricas; Vital Brasil, que descobriu o soro para o veneno de cobras como a jararaca e a cascavel; Suzana Herculano-Houzel, neurocientista que conseguiu criar uma forma de contar o número exato de neurônios no cérebro humano; a astrônoma Duília de Mello, que descobriu as bolhas azuis fora da galáxia, dentre muitos outros.
Devemos ter conhecimento de nossas pesquisas. O bem-estar do planeta, que engloba o ser humano, é a grande meta a ser alcançada para quem escolhe o caminho da pesquisa, para quem vive de sonhos, grande parte deles, realizáveis. A pesquisa é caminho certo para as sociedades que querem fazer de nossa casa, um mundo melhor. Como disse o primeiro-ministro de Portugal hoje em sua conferência na entrega do Prêmio: um desafio incontornável.
*Andréa Luísa Teixeira é pianista da Escola de Música da Universidade Federal de Goiás e durante 15 anos foi pesquisadora do Instituto do Trópico Subúmido da PUC-GO.
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