É ótimo que nos preocupemos em gerar menos lixo, em apagar a luz ao sair do quarto, em não lavar a calçada com a “vassoura hidráulica” e em cultivar uma horta caseira na varanda ou no quintal – ou em qualquer canto com boa incidência de sol. É muito bom que nos preocupemos em trocar as lâmpadas incandescentes, gastonas, pelas fluorescentes, bem mais econômicas. E reutilizar coisas que estão para ser descartadas, então? Sensacional.
Contudo, uma questão crucial muitas vezes não é levada em conta na hora de adotarmos todas essas práticas sustentáveis. Na verdade, trata-se de um problema quase tão importante quanto cuidar do meio ambiente, pois afeta a todos indiscriminadamente – ainda que muitos não se dêem conta disso: a beleza. Coisas belas nos proporcionam, além de prazer, bem estar. O feio, portanto, traz o oposto disso!
Tudo bem que você economizará bastante eletricidade ao optar pela lâmpada fluorescente – que gasta 80% menos energia e produz 70% menos calor, além de durar seis vezes mais do que a incandescente. Mas precisa colocar aquela luz branca na casa inteira?! Adeus, aconchego do lar. Para isso não acontecer, basta optar pela fluorescente amarela, mil vezes mais agradável pra sala ou pro quarto, por exemplo. Se é pra colocar no spot, tipo de luminária em que a lâmpada fica visível, também é altamente recomendável que se opte pela lâmpada compacta de bulbo, cujo formato é parecido com as velhas incandescentes.
Outro ponto alto da falta de bom gosto, aliada a propostas ecológicas bem intencionadas, tem um representante-mor quando o assunto é reutilização: as garrafas PET. Esses objetos plásticos verdes ou transparentes são transformados em tudo: arranjo de flores, porta-lápis, castiçal, bolsa e até árvore de Natal. É o artesanato com cara de lixo – perdão, com cara de material reciclável.
Vemos muito a valorização desse tipo de iniciativa, pois assim se deixa de jogar fora não sei quantas PET. Mas, em primeiro lugar, objetos descartáveis deveriam ser evitados ao máximo, se queremos realmente promover uma mudança sustentável no mundo. Ainda não vi em Goiânia, mas em algumas cidades no país já se observa o retorno da velha e boa garrafa de vidro retornável para refrigerantes. Em segundo lugar, se for muito difícil bani-las da nossa casa, devemos exigir que sejam devidamente recicladas. Por enquanto, o índice nacional de reciclagem de PET não passa de 56%, segundo o Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem).
Pois então, faz favor: se você quer fazer uma horta suspensa na parede ou no quintal, utilizando materiais baratos ou reutilizando alguma coisa, há milhares de opções muito mais bonitas do que as de garrafa PET. Por exemplo, latas de leite Ninho; restos de calha de plástico; pneus velhos ou uma sapateira de lona. Outra boa alternativa é o bambu, que pode dar lindos vasinhos. Aí, sim!
O infame canteiro de PET
*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).