Raisa Ramos
Existem duas coisas ruins na mostra "O Amor, a Morte e as Paixões", em cartaz no cinema Lumière Bougainville. A primeira é ter que chegar com muita antecedência à bilheteria para conseguir ingresso para as sessões superconcorridas. E a segunda é… nada. Tudo no evento está bom: os filmes selecionados para exibição; o público tranquilo, feliz por ter acesso a obras premiadas que não tinham chegado em Goiânia; os debates pós-sessões polêmicas. Em plena metade da mostra, o organizador Lisandro Nogueira diz já ter superado o público total da última edição, em 2005.
"Nosso público já passou de 10 mil pessoas", contou o professor de cinema da Universidade Federal de Goiás (UFG), satisfeito com o movimento. "Esta edição surpreende pelas sessões lotadas à tarde. Significa que tem muita gente de férias ainda!", brincou. Sobre a plateia dos debates, Lisandro também faz uma balanço positivo. "O primeiro debate [realizado na última quarta-feira (1º/2), que contou com a presença do prefeito Paulo Garcia e do diretor da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG, Magno Medeiros, discutindo o filme "Dawson, a ilha secreta de Pinochet"] teve cerca de 70 pessoas. Público esperado para debate mesmo. A receptividade foi muito boa".
Estreia
Depois de uma semana de grandes filmes nas telonas do Lumière Bougainville, como "J. Edgar", do sempre bom Clint Eastwood, "Tetro", do mestre Francis Ford Coppola, o brasileiro "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios", de Renato Ciasca e Beto Brant, "Inquietos", do estranho Gus van Sant, e vários outros títulos, engana-se quem pensou que não há novidade pela frente.
Esta sexta-feira (3/2) tem a estreia de "A música segundo Tom Jobim", documentário de Nelson Pereira dos Santos, que vem arrancando suspiros e elogios da crítica por onde passa. A sessão está marcada para às 20 horas. Quem não puder ver nesse horário, a mostra dá mais duas chances para o público não perder esse grande filme. No sábado (4/2) e no domingo (5/2), o título será reexibido às 16 horas.
Elogios
Nas redes sociais e nas rodinhas de amantes da sétima arte, só se veem elogios ao evento. Um dos satisfeitos é o bacharel em Audiovisual Pedro Garcia Villela. "A mostra está ótima, supervariada. São muitos filmes que não estão em cartaz [nas outras salas de cinema] e nos dá a oportunidade de ver obras que não vêm para Goiânia. Além disso, ainda tem os debates, muito salutares", disse. "A curadoria fez um ótimo trabalho", acrescentou.
Segundo Lisandro, 98% do público elogia e o restante é reclamação de alguns títulos nacionais. "Infelizmente, as pessoas não gostam muito dos filmes brasileiros. Reclamaram de 'O Homem que não Dormia' [de Edgard Navarro] e 'Simples Mortais' [de Mauro Giuntini]", contou o curador. Ao mesmo tempo que essas obras não agradaram, outros filmes "made in Brazil" caíram na graça dos espectadores. "Gostaram muito do 'As Canções', de Eduardo Coutinho, e do filme do Pedro [Novaes, 'Cartas do Kuluene']". Até o último dia de mostra, marcado para a próxima quinta-feira (9/2), ambas as produções serão reexibidas. (Veja programação completa
aqui)
Alterações
Por conta de alguns contratempo naturais de qualquer evento desse tamanho, a produção anunciou nesta semana algumas mudanças na programação. Veja abaixo:
– Sala 1:
Sai "As Aventuras de Tintim" e entra "Histórias Cruzadas"
Dias 4, 5 e 6, às 20 horas
– Sala 2:
Sai "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios" e entra "Habemus Papam"
Dia 4, às 20h30
Sai "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios" e entra "Quebrando o Tabu"
Dia 7, às 20h30
– Sala 3:
Sai "Histórias Cruzadas" e entram:
“Românticos Anônimos"
Dia 3, às 15h, 17h30 e 22h15
"Conto Chinês"
Dia 4, às 15h, 17h30 e 22h15
"A guerra está declarada"
Dia 5, às 15h, 17h30 e 22h15
"Turnê"
Dia 6, às 15h, 17h30 e 22h15
"Deixa ela entrar"
Dia 7, às 15h, 17h30 e 22h15
"A Alegria"
Dia 8, às 15h, 17h30 e 22h15
"Conto Chinês"
Dia 9, às 15h, 17h30 e 22h15
– Sala 5:
Sai "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios" e entra "Habemus Papam"
Dia 5, às 13h30
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