É o que podemos ver também na rua 10 do Centro, com a construção da primeira ciclovia da cidade (apesar da questionável retirada de praticamente todas as árvores do local, que não posso deixar de repetir). Não sei se é impressão, mas também acredito estar vendo mais ciclistas se locomovendo por aí. Uns corajosos, nesse trânsito maluco em volume e qualidade.
Hoje me deparei com um vídeo bem legal sobre como a Holanda se transformou nesse país que guarda a bicicleta entre suas marcas registradas – Como os holandeses conseguiram suas ciclovias (tradução de How the Dutch got their cycle paths). “Algumas pessoas pensam que as ciclovias sempre estiveram ali”, diz o filme. Mas nem sempre foi assim, e o que ele mostra é que a enorme mobilização da sociedade foi crucial para as mudanças nas ruas e na cabeça das pessoas.
Da mesma forma o foi a resposta do poder público, diante de holandeses indignados com todo o espaço dedicado aos carros e com todas as mortes no trânsito – em 1971, foram 3.300 no total, das quais 400 eram de crianças. E também diante da crise do petróleo de 1973, quando o país decidiu depender menos da energia para se locomover.
Por aqui, também temos muitos motivos para exigir e promover mudanças. Segundo um artigo do presidente do Detran-GO publicado neste jornal, a Organização Mundial de Saúde (OMS) contabilizou mais de 40 mil mortes no trânsito em 2010, no Brasil. Em Goiás, mais de 1,8 mil. São 29 vítimas fatais a cada 100 mil habitantes, um dos índices mais altos do mundo. Além desse problema gravíssimo, temos o alto preço dos combustíveis, a perda crescente de espaço nas cidades para os automóveis, a emissão de poluentes que causam problemas de saúde e contribuem para as mudanças climáticas. Do outro lado da balança, estão os fortes incentivos políticos e econômicos para a arraigada cultura do carro. É um páreo duro. Mas, diante das recentes mudanças (ainda que tímidas), há espaço para um pouquinho de otimismo.