Mal começou a segunda-feira que antecipa o carnaval e o assunto da popular festa brasileira já chegou ao meu ouvido nem sei quantas vezes. Na televisão, no rádio, nas rodinhas de conversa no trabalho, no e-mail, nas redes sociais… A verdade é que nessa semana as coisas vão andar de forma lenta, em ritmo malemolente. Está todo mundo se guardando para quando o carnaval chegar, para botar o bloco na rua. A semana que antecede o carnaval é uma espécie de sexta-feira de cinco dias. A expectativa pelas experiências que virão no feriado não deixa ninguém focado completamente nas atividades profissionais.
E isso independe de ser folião ou não. Tenho vários amigos religiosos que estão super ansiosos pelo feriado. Talvez até mais do que os que cairão na mais completa esbórnia. São comuns os acampamentos de diversas igrejas durante esse período. E, segundo os participantes, é uma experiência rica e produtiva para quem compartilha daquela fé. Não duvido. Deve ser realmente divertido, mas não é para mim. Assim como também não me seduz a ideia das muvucas carnavalescas profanas. Seja no interior de Goiás, nas cidades históricas de Minas Gerais ou nos agitos clássicos do eixo Recife-Salvador-Rio. Prefiro a tranquilidade, o sossego. Numa relax, numa tranquila, numa boa. Só lendo alguns livros nada racionais.
Uma vez passei um carnaval em Pernambuco. Seria mentiroso de minha parte dizer que não me diverti nas ladeiras de Olinda e com o bloco do Galo da Madrugada. Mas era outro tempo de minha vida. Esse ímpeto da juventude não corre mais pelas minhas senis artérias. Hoje prefiro a prudência. Uma viagem de carnaval que até hoje me deixa nostálgico foi quando passei esses dias de festa em São Paulo. Nunca assisti tantos filmes, shows e peças de teatro em um período de tempo tão curto. Sem trânsito algum, andava pelas ruas da maior cidade da América do Sul como se estivesse em Brazabrantes. Um sonho.
Na infância, eu gostava de ir para o interior do estado. Gostava das matinês, me divertia com as fantasias, brincava horrores. Hoje, prefiro ficar em Goiânia. Faço isso há uns 10 anos e não tenho expectativa de mudar esse hábito tão cedo. Os restaurantes costumam ficar mais tranquilos, sempre pintam uns programas culturais diferenciados (festival de rock, mostra de cinema, sambinhas antigos nos blocos…) e é ótimo visitar amigos para colocar as conversas (e bebidas e comidas e fofocas) em dia. Não posso reclamar.
O difícil é pensar que ainda falta uma semana para começar a diversão. Por isso que já entramos nesse ritmo de aquecimento para o feriado. Mais ou menos como é o clima de dezembro. E, além disso, tem a máxima de que o ano brasileiro só começa de verdade após o carnaval. Então a vontade de curtir ao máximo o que antecede e a festa só aumenta. Sabemos que depois começa a vida real. Então vamos aproveitar essa semaninha como no samba de Martinho da Vila – devagar, devagarinho. Nos quatro dias de folia, cair na festa como se não tivesse amanhã. E deixemos para pensar nos compromissos e responsabilidades só na quarta-feira de cinzas. Mas só depois do almoço, pois a manhã é feriado para curarmos a ressaca dos excessos carnavalescos.