Faz já um tempinho —um par de anos, acho— que Marta chegou em casa com uma caixinha delicada, colorida. Perguntei o que era. “Sobremesa”, respondeu. Abriu-a para que eu visse seu interior e, embora percebesse que havia ali meia dúzia de doces, não os reconheci logo de cara.
Não pareciam, mas eram brigadeiros.
Temos todos alguma lembrança ou história infantil com o mais brasileiro dos doces, não? A minha:
Não importava se a festa era minha, dos meus irmãos ou primos ou do filho de um amigo de meus pais para mim desconhecido. O pequeno Rodrigo, agente secreto infiltrado em perigosas terras inimigas, tinha a missão mortal de surrupiar alguns doces da farta mesa antes do “Parabéns pra Você”. Saborear os brigadeiros ainda “proibidos” e ver algumas daquelas forminhas sanfonadas vazias era sensacional. Não me lembro de ter sido pego uma só vez.
Mas acho a de Marta mais legal. Disse-me ela certa vez que, quando alguém —a mãe? a tia? bem, cabe a ela responder aí nos comentários abaixo— perguntou à pequena Marta o que gostaria de comer, ela respondeu: “Aqueles doces que brigam”.
Voltando à caixinha colorida, eu não reconheci de imediato os brigadeiros porque estavam muito diferentes. Descobri ali que havia um pequeno movimento de novas lojas na cidade que haviam recriado o doce. Quer dizer, o formato tradicional persiste, claro, mas ele ganhou várias novidades.
Por exemplo, no lugar do chocolate granulado, entraram nozes ou castanhas-do-pará ou pistache ou castanha-de-caju ou paçoca ou avelãs ou amendoim ou coco ou macadâmia… E por aí vai.
O próprio recheio ganhou novidades: chocolate amargo ou branco, nutella, doce de leite, menta, laranja, limão, maracujá… Alguns têm sabores de bebidas, como Baileys, conhaque, vinho do porto e até cachaça —esses eu nunca provei. E há também diferentes formatos, como de colher e até em tubo (tipo de pasta de dente).
PSs.:
1. Sempre que sou convidado a jantar ou almoçar na casa de amigos, proponho levar a sobremesa. As bonitas caixinhas de brigadeiros variados fazem bastante sucesso.
2. Quando estiver na Paulistânia, preste atenção nos shoppings, pois boa parte deles tem alguma loja de brigadeiros.
3. Não se assuste com os preços. Uma unidade pode custar R$ 3,50.