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Cooperativismo goiano é destaque no País, gera emprego e movimenta economia

13.12.2017 - 17:19:13
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Adriana Marinelli e Lucas Cássio
 
Goiânia – Em um momento em que o país busca alternativas para voltar a crescer e a superar a crise econômica, o cooperativismo tem se mostrado um dos meios mais viáveis e eficientes. Dados do Censo do Cooperativismo Goiano, publicado pelo Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO), mostram o crescimento do setor em Goiás nos últimos anos. Somente em 2016, o setor faturou R$ 9,78 bilhões no Estado, além de gerar empregos e também contribuir para o desenvolvimento social da comunidade. 
 
Especialistas do setor garantem que uma das razões do sucesso do modelo cooperativista é a união das pessoas em busca de um ideal. “Quando se tem uma área com uma certa deficiência para atender, seja de serviços ou produtos, surge a necessidade da criação de cooperativas. O que fomenta é a união das pessoas em cima de uma ideia. Daria para fazer cooperativas em todas as áreas de atividades”, ressalta o presidente do Sistema OCB-GO, Joaquim Guilherme Barbosa de Souza, em entrevista ao Jornal A Redação
 

Presidente do Sistema OCB-GO, Joaquim Guilherme (Foto: Lucas Cássio – A Redação)
 
Para o presidente da OCB-GO, o sistema cooperativo vai se consolidar no futuro como uma solução para o mundo, tanto para diminuir prejuízos quanto para buscar soluções para problemas comuns de uma sociedade empreendedora. “Atualmente o mundo fala muito em 'compartilhar'. Nós compartilhamos tratores, usinas de leite, tanque de refrigeramento. A gente já pratica o compartilhamento por filosofia. O cooperativismo nessa onda de compartilhamento tem tudo para crescer em várias áreas”, destaca. 
 
Segundo a OCB-GO, são 214 cooperativas registradas no órgão até dezembro deste ano, um crescimento de 4,4% em relação a 2016. O maior número está ligado ao ramo agropecuário, com 73 cooperativas, seguido do ramo de transporte, com 43, crédito, com 36 e saúde, que conta com 28. Dos 13 ramos do cooperativismo existentes no País, nove possuem atividades em Goiás. 
 
Também na contramão do cenário nacional, a OCB-GO constatou que o cooperativismo goiano não só conseguiu manter as vagas de empregos como também ampliou o número de vagas em relação a 2015. O quadro de empregados foi ampliado em 167 vagas de trabalho, um crescimento de 1,66%, conforme consta no Censo do Cooperativismo Goiano. No total, são 10.230 pessoas empregadas em cooperativas somente em 2016. O número de cooperados também cresceu, passando de 157.929 em 2015 para 173.205 em 2016, um avanço de 9,67%. 
 
Agropecuária
O ramo agropecuário é um dos grandes responsáveis pelo crescimento do setor cooperativista goiano. As 73 cooperativas agropecuárias registradas na OCB-GO, que juntas somam 30.879 associados, empregam 5.296 pessoas e contam com um capital social de R$ 1,04 bilhão, em 2016.
 
Os números registrados pelo setor também ganham destaque nacional. É o caso da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), que aparece na última edição do Ranking Valor 1000 em 1º lugar do Centro-Oeste, no ramo agropecuário de cooperativas, e entre as dez maiores neste setor no Brasil. O ranking é elaborado pela revista Valor Econômico.

“No agronegócio temos a presença muito forte da área de grãos. Cerca de 50% dos grãos do Estado passam por uma cooperativa, seja uma cooperativa pequena, média ou grande. Temos como destaque a Comigo, uma das maiores cooperativas do Brasil, que atua no fornecimento de insumos, assistência técnica e na comercialização de soja, além da industrialização de soja e de milho”, explica presidente do Sistema OCB-GO. 

 
A Comigo nasceu em 1975 com a necessidade de superar as barreiras para secagem de arroz, que na época estava em expansão. Os produtores rurais da região Sudoeste de Goiás também tinham dificuldades para negociar a comercialização do cereal. Foi a partir daí que surgiu a ideia da construção de uma cooperativa. “Começamos com 50 associados e hoje temos 7,5 mil. Estamos em 13 municípios. A tendência é sempre aumentar o número de cooperados. Nossa cooperativa sempre trabalhou no sentido de melhorar a vida do produtor. É isso que fez ela crescer”, garante Antônio Chavaglia, presidente da Comigo.
 

Antônio Chavaglia, presidente da Comigo (Foto: Samir Machado – Comigo)
 
Antônio Chavaglia também ressalta que a criação da Comigo movimentou a economia de Rio Verde (GO), servindo de chamariz para a instalação de outras empresas na região. “A Comigo foi importante porque criou uma condição de desenvolvimento dos municípios e melhoria de renda para sociedade, com a geração de empregos. Hoje ela tem 2,5 mil funcionários. Com esse apoio da Comigo, as empresas vieram montar fábricas na região, porque tinha matéria-prima disponível. Veio, por exemplo, a Perdigão, que gerou muitos empregos nas fazendas. É um trabalho bastante expressivo”, conta.
 

(Arte: Jornal A Redação)
 
“O cooperativismo é a melhor forma de distribuição de renda, as pessoas não são exploradas, o preço é justo na hora de comprar e vender. No nosso caso, em 25 anos de cooperativa, nós oferecemos um diferencial. O produtor nunca faz uma previdência privada, e a cooperativa é uma forma dele fazer para acumular um dinheiro e pegar lá na frente”, destacou Antônio Chavaglia. “Tudo que sobra das atividades dele vai para a cota capital, que serve como uma aposentadoria, uma poupança. Então ele passa a contar com um dinheiro que pode ser retirado lá na frente”, completa.
 
Crédito
As cooperativas financeiras também assumiram um papel importante na economia brasileira. Em Goiás são 36 cooperativas de crédito registradas na OCB-GO, com 124.410 cooperados e 2.094 trabalhadores, conforme dados da OCB-GO. Só o Sistema Sicoob, o maior em território nacional, conta com mais de 100 unidades de atendimento e mais de 70 mil cooperados em Goiás, movimentando cerca de R$ 3,6 bilhões.
 
“Possuindo uma lógica diferente de bancos comerciais, as cooperativas financeiras, como o Sicoob Engecred-GO, têm o objetivo de oferecer benefícios para seus associados e as comunidades locais, incluindo taxas de empréstimos mais competitivas, tarifas de serviços menores, melhor remuneração dos investimentos, participação do cooperado nos resultados financeiros, atendimento personalizado, além de investimento nas comunidades”, explica o diretor-geral do Sicoob Engecred-GO, Fabrício Modesto Cesar.  
 

Diretor-geral do Sicoob Engecred-GO, Fabrício Modesto Cesar (Foto: Alex Malheiros)

Além do crédito e taxas mais acessíveis, como a taxa média do rotativo do cartão de crédito, de 7,9% ao mês, nas cooperativas financeiras existe a divisão das sobras. Outro benefício encontrado nessas instituições é o amplo portfólio de serviços e produtos, como conta corrente, conta capital, conta salário, cheque especial, crédito consignado, crédito rural, financiamentos, cartões (crédito e débito), consórcios, seguros, disponibilidade de se adquirir meios eletrônicos de pagamento (as maquininhas de cartões), entre diversas outras soluções financeiras.
 
O diretor-geral do Sicoob Engecred-GO defende que o cooperativismo financeiro é o sistema mais justo do mundo. “A pessoa é cliente e dona ao mesmo tempo. Ela deixa de fazer qualquer tipo de operação em uma outra instituição financeira qualquer para fazer na sua própria instituição. Isso porque além do rendimento normal, ela vai ter direito às sobras. Ou seja, o que aquela aplicação permitiu de retorno vai gerar uma riqueza e um resultado que volta para ele como dono daquela instituição”, ressalta. 
 
Há aproximadamente 20 anos, o Sistema Cooperativo de Crédito representava apenas 0,2% do Sistema Financeiro Nacional. Hoje, 4% dos pouco mais de 207 milhões de brasileiros já são associados a uma instituição financeira cooperativa. “O sistema de cooperativas financeiras, no modelo atual de organização, possui pouco mais de duas décadas, ou seja, ainda temos muito espaço para crescer”, garante Fabrício Modesto. 
 
Casa do cooperativismo goiano
 
 
A OCB-GO completou 61 anos em outubro deste ano. A trajetória da instituição foi essencial para o desenvolvimento do cooperativismo em Goiás. Segundo a OCB-GO, a organização foi pioneira em diversas frentes de trabalho, como na elaboração do primeiro projeto consolidado para formação profissional cooperativista do País, na década de 70. 
 
“A OCB, assim como as cooperativas, cresceu muito nesses 61 anos. Começou pequena e aprendeu com as cooperativas assim como as cooperativas aprenderam com a OCB. Na medida que as cooperativas foram crescendo, as demandas também foram. Nós acompanhamos esse crescimento. Estivemos presentes em todas as fases”, ressalta Joaquim Guilherme, presidente da entidade goiana.
 

(Fonte: OCB-GO / Arte: A Redação) 
 
 
 
 
 
 
 
 
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por Lucas Cássio

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