Goiânia – Já imaginou que a resposta para salvar o Meio Ambiente garantindo a segurança alimentar do mundo pode estar na própria floresta ao invés do combate intenso às chamadas “pragas”, por meio de defensivos agrícolas? Esta é a linha de condução da chamada Agricultura Sintrópica, que prega modos de cultivo com condições favoráveis ao bom desenvolvimento de plantas e alimentos ao invés de criar genótipos capazes de suportar os maus-tratos a que são submetidos.
A técnica, que é uma das tipificações da Agrofloresta foi desenvolvida pelo suíço Ernst Götsch – agricultor e pesquisador que migrou para o Brasil no começo da década de 80 e se estabeleceu na Bahia. Ernst desenvolveu técnicas de recuperação do solo regenerando florestas. Em mais de 30 anos, recuperou 480 hectares de áreas degradadas, sendo que 350 foram transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Além disso, conseguiu com que a fazenda desenvolvesse seu próprio microclima, recuperou 14 nascentes e conseguiu reestabelecer a fauna local.
Todas as espécies são possíveis de serem utilizadas em uma agrofloresta que produz sempre muito alimento porque é muito manejada, podada e cuidada. Tem sempre luz entrando e o sistema se renova rapidamente. Não costumamos usar muito plantas ornamentais, utilizamos mais as que são de utilidade imediata, mas, não quer dizer que não tenha ornamentação. Por exemplo, se eu for usar uma flor, buscamos uma que seja comestível. Se for para colocar um arbusto, procuramos um que tenha algum fruto. Posso colocar um pé de café, por exemplo.
O cuidado necessário é dar melhor condição para o desenvolvimento daquela planta porque tem planta que precisa mais de sol, mais de luz. E quando a gente planta parece que é tudo junto, mas, na verdade não é. Existe uma lógica que respeita o tempo de vida de cada planta! A novidade é que a prática chega a Goiás com uma proposta inovadora: uma Agrofloresta dentro de um condomínio residencial. É simples como ter uma floresta e praticamente todos os alimentos que se consome, no quintal de casa.
Convidado para integrar este projeto, estou tendo a felicidade de implementar esta técnica por aqui e já vemos árvores nativas, horta e frutos em um mesmo lugar. O Parque Cultural Florata já é uma realidade e está aberto a visitações. Nas suas proximidades será lançado no próximo mês o Condomínio Florestal Florata. Além dos moradores, a agrofloresta será capaz de produzir toneladas de alimentos que serão doadas a instituições de caridade! É garantir segurança alimentar e salvar o Meio Ambiente.

*Murilo Arantes é biólogo, mestre em Ecologia, diretor técnico da Agrosintropia Soluções Agrícolas e Ecológicas e responsável técnico pelo plantio da Agrofloresta do Parque Florata.