Goiânia – Pronto, agora não nos falta mais nada. Eu detesto ser pessimista, mas a falta de pulso firme e de um governo de mínima credibilidade pode nos empurrar de forma ainda mais rápida ladeira abaixo. Vejam o caso da inflação. Plenamente dominada, em junho deve registrar índice superior a 1%. Isso é consequência da má condução da greve dos caminhoneiros. Os produtos sumiram, os preços dispararam. Os produtos reapareceram, mas os preços não voltaram ao que eram. O resultado é um iminente desastre. Sim, porque há coisas que não são repostas do dia para a noite, como o plantel de frangos, a estabilidade na cadeia de produção dessa e outras proteínas.
No caso específico dos animais de pasto, estamos entrando na fase ruim, de seca. Por isso o leite terá ainda durante muito tempo preços elevados e a carne bovina também. Como recomendação, fuja o que puder desses produtos, procure consumir menos ou substituir. A melhor força que o consumidor tem é o seu poder de comprar ou não alguma coisa. Como nos últimos tempos o consumo subiu bastante, há margem para readequar o consumo e esperar que o produtor se toque e baixe os preços ou pelo menos os acomode em patamares menores.
Mas vamos voltar um pouco à greve dos caminhoneiros. Movimento legítimo em seu início, tornou-se poucos dias depois, na escancarada mostra da falta que faz um governo forte e bem informado, algo descontrolado. Houve infiltração de tudo no momento, desde políticos querendo votos, políticos querendo desestabilizar ainda mais a situação, facções criminosas apostando no quanto pior melhor para desviar atenções e mostrar força. O que fizeram no País foi um crime de lesa Pátria, uma atrocidade. As rotas do desenvolvimento e da retomada da economia foram alteradas, os meios de produção desequilibrados.
Quando a economia está numa má fase, em colapso, o próprio mercado vai dando uma forma de ajeitar as coisas. Aos poucos e à custa de muito sacrifício e tempo há uma acomodação lenta e gradual. Quando ocorre uma ruptura como esta, voltamos à estaca zero. Vai demorar muito tempo até que as coisas voltem ao ponto em que paramos. Isso irá refletir, escrevam, no PIB deste ano, nos índices de emprego, na retomada da economia. Para piorar, há esse quadro absolutamente desanimador da falta de perspectiva política, com candidatos velhos e sem nenhuma ideia nova para colocar o País nos trilhos.
Em meio a tudo isso, o futebol, a Copa, e uma seleção igualmente sem rumo. Por falar nisso, me lembrei de uma história tragicômica que me contou um grande amigo. Ele era pequeno e morava na Mooca, bairro de origem italiana de São Paulo. As famílias se acomodavam em casarões e lá habitavam primos, tias, irmãos. Numa noite, o tio dele chegou de uma festa tarde da noite e como sempre fazia foi beijar a nona. Chamou a nona várias vezes e nada. Bem, para encurtar, descobriu que ela havia morrido durante o sono. Daí ele pensou: Acordo todo mundo ou deixo para que todos percebam de manhã? Como era quase duas da manhã de uma noite fria e garoenta, preferiu a segunda opção. Pela manhã, claro, foi uma correria, gritos, choros, um momento muito triste e alvoroçado no casarão. Em meio a tudo aquilo, o pai do meu amigo, palmeirense fanático, comentou: Que infortúnio, agora só me falta o Palmeiras perder hoje.