Goiânia – Desde os anos 60 do século passado a questão ambiental tornou-se pauta de agendas políticas e de decisões internacionais, de Estados Nacionais e de comunidades locais. Não sem razões ela tem sido motivo de reuniões patrocinadas pela Organizações das Nações Unidas – ONU e importantes documentos têm sido elaborados.
Mudança climática, aquecimento global, desmatamento, limitação de recursos hídricos, desgelo dos polos, aquecimento dos mares, perda da biodiversidade, conflitos por demanda de água, além de diversos outros problemas ambientais levaram à discussão de possíveis alternativas e, entre essas, a proposta de sustentabilidade, de desenvolvimento sustentável. Mesmo assim, a questão ambiental se mantem como problema.
Embora se apresente com evidencia cada vez maior, seja o aquecimento global, seja a mudança climática e mesmo que haja previsões até catastróficas das possíveis consequências, muitos ignoram ou fazem vistas grossas e continuam se comportando como se a Natureza tivesse que ser usada mesmo assim. É o que se mostra no ‘paradoxo de Giddens’, em que “os perigos do aquecimento global não se apresentam palpáveis e muita gente continua sem fazer nada de concreto a respeito; esperar que se tornem mais visíveis pode ser tarde demais” (Anthony Giddens, A política da mudança climática). Talvez como alerta, a ONU propôs em junho quatro datas para se discutir e chamar a atenção de questões ambientais importantes e que merecem ser destacadas. A seguir, são destacadas:
5/junho – Dia Mundial do Meio Ambiente. Faz-se necessário que a Terra seja vista como um planeta vivo, Gaia; e nesta perspectiva, deva ser considerada como um sistema que se mantem como um todo. Daí a forma como a terra tem sido usada; os lixões; a poluição ambiental; o efeito estufa; a degradação do solo e dos recursos hídricos – tudo isso, deve ser pensado como problema e que resulta em dano para a Natureza, para o Meio Ambiente.
8/junho – Dia Mundial dos Oceanos. A Terra foi considerada o planeta azul por causa dos oceanos, sendo que 70% da superfície da Terra é constituída por água, mas os mares estão sendo devastados; com destruição do habitat das espécies; acidificação das águas; aquecimento como resultado da mudança climática e do degelo dos polos.
17/junho – Dia Mundial contra a Desertificação – processo ecológico em que o solo fértil e produtivo perde, total ou parcialmente, o potencial de produção, tornando-se áreas fortemente degradadas e inférteis. Apresenta-se como um fenômeno mundial e, no Brasil, as regiões Nordeste e Sul têm maiores áreas desertificadas. Estima-se que 15% do território brasileiro acham em processo de desertificação, sendo que o Estado do Piauí tem mais de 70% de sua terra agricultável sob ameaça de tornar-se deserto. Desmatamento, queimadas, uso intensivo do solo e mineração e, principalmente, sobre-exploração de rios e de aquíferos, são consideradas as causas principais da desertificação.
29/junho – Dia Internacional dos Trópicos – região da terra entre os trópicos de Câncer e Capricórnio e que recebe maior radiação solar, com clima ideal para produção, compreendendo 40% da superfície do planeta. Conforme estudiosos, os Trópicos se destacam por sua biodiversidade; por ter 80% da diversidade biológica da Terra; 54% das reservas de água; e grande diversidade de culturas. Contudo, enfrentam desafios, com perda da biodiversidade e com muitas espécies ameaçadas.
Pois bem. Vivemos momento de incertezas. A mudança climática se apresenta como uma dessas incertezas – que resultará caso o aquecimento global continue aumentando? Não vale pagar para ver, assim sugere ‘o paradoxo de Giddens’. A consciência que o meio ambiente está ameaçado, passando a exigir mudança de atitude – o entendimento que nosso futuro se correlaciona com a sustentabilidade ambiental.
Itami Campos é Itami Campos é doutor em Ciência Política, professor do Programa Pós-Graduação em Ciências Ambientais, UniEvangélica.