Yuri Lopes
Goiânia – A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em parceria com o Sebrae, realizou na manhã desta quinta-feira (23/8), a rodada de debates Perspectivas Econômicas e Políticos para o Brasil. Com o objetivo de discutir o cenário atual e as possibilidades para o futuro do agronegócio, o evento contou com palestras da economista chefe da XP Investimentos, Zeina Latiff, e do cientista político Murilo Aragão.
Direcionado a quem trabalha ou de alguma forma é ligado ao agronegócio, o evento Impactos para o Agro teve a presença de autoridades do setor, como o superintendente do Sebrae, Igor Montenegro, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Pedro Alves de Oliveira, e o presidente em exercício da Faeg, Bartolomeu Braz.

Igor Montenegro, superintendente do Sebrae (Foto: Letícia Coqueiro)
“Estamos vendo o dólar passar de R$ 4, o que influencia diretamente no custo de produção, no preço das commodities, entre tantos outros fatores. Discutir o cenário econômico é importante para que o produtor possa tomar sua decisão e estar em sintonia com o que pode acontecer por conta da eleição presidencial desse ano”, declarou Bartolomeu.
O presidente da Faeg disse ainda que as questões e decisões políticas podem contribuir ou atrapalhar o futuro do desenvolvimento do agronegócio e por isso o painel com os especialistas se faz tão necessário.
O superintendente do Sebrae, Igor Montenegro ressaltou a necessidade de dar atenção ao tema político e econômico. “A grande questão é como continuaremos sendo competitivos no agronegócio mundial. O Brasil é um dos principais nomes deste setor em todo o mundo, e agora vários outros países estão se desenvolvendo e crescendo neste mercado”, comentou Igor.
O representante do Sebrae considerou que outro ponto a ser levado em consideração pelo setor agrícola é encontrar meios de melhorar a produtividade, na gestão, na tecnologia, na informação, não só do proprietário rural, mas de toda a equipe que trabalha na propriedade.

Murilo Aragão, cientista político e debatedor do Programa Painel (Foto: Letícia Coqueiro)
“Um evento com este de hoje é de extrema importância pois traz conhecimento e esclarecimento para o produtor rural e todos aqueles que fazem parte da cadeia produtiva tão importante para o nosso país”, disse o superintendente do Sebrae.
Visão dos palestrantes
Para Murilo Aragão, que é cientista político e comentarista recorrente do programa Painel, da Globo News, o cenário político no Brasil para a eleição deste ano ainda está muito indefinido. “Acredito que as definições só começarão a partir do dia 10 de setembro. O produtor rural, assim como todos os outros cidadãos, precisam ter cautela, sangue frio e confiança no Brasil”, comenta ele.

Zeina Latiff, economista chefe da XP Investimentos (Foto: Letícia Coqueiro)
Questionado sobre o cenário para o agronegócio no ano que vem, Murilo disse que pode ser bom se o próximo governo se engajar e manter a agenda de reformas iniciadas no governo Temer. “É preciso ter um melhor ambiente de investimentos, um sistema tributário mais simples e precisamos equacionar a questão da dívida pública, além de fazer a reforma da previdência”, declarou.
Para a economista chefe da XP Investimentos, Zeina Latiff, o Brasil ainda tem sua economia com uma retomada muito lenta, o que surpreendeu negativamente. Ela também citou o ajuste da cotação do dólar como fator que tenha afetado o avanço da economia. “Tudo isso não significa que o Brasil não esteja se recuperando. Ela vem em etapas, aos poucos. De fato houve uma mudança na política econômicas no país depois dos equívocos do governo anterior, mas demora para que essas mudanças tragam mudanças para a sociedade”, comenta.
A atenção ao próximo presidente, segundo Zeina, é por ser dele a missão de implementar reformas urgentes e necessárias já para 2019, para que esse ciclo de recuperação não seja cortado. “Se o próximo presidente não tiver força política e clareza quanto a necessidade de reformas, e acredito que a principal seja a da previdência, o Brasil pode ter uma rápida deterioração da economia”, declara. ?