Gabriela Louredo
Goiânia – Valorização e qualificação profissional, fiscalização humanizada e atenção ao jovem farmacêutico. Esse tripé tem sido foco e a base de sustentação da presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), Lorena Baía, que completou nove meses de gestão.
A entidade fiscaliza a atuação de cerca de 10 mil profissionais em 6.250 estabelecimentos cadastrados (drogarias, laboratórios de análise clínica, indústrias de cosméticos, distribuidoras de medicamentos, entre outros). Para 2019, a meta é implantar a Escola Superior de Farmácia. Esse e outros assuntos pautaram entrevista exclusiva concedida por Lorena ao jornal A Redação. Veja os principais pontos:
Start CRF
O Start CRF foi um programa criado em junho deste ano pela presidente do CRF-GO, com o objetivo de promover gratuitamente cursos e palestras de formação tanto para os farmacêuticos que acabaram de ingressar na faculdade quanto os que estão saindo.
Lorena explica que o curso de Farmácia possui mais de 130 áreas de atuação profissional e a “tentativa do Conselho é mostrar as oportunidades, conscientizar o futuro farmacêutico em relação às questões éticas, à legislação sanitária para que ele se sinta mais seguro quando entrar no mercado de trabalho”.
Mais Ensino
Por meio do Programa Mais Ensino, o CRF-GO realizou um chamamento público destinado às instituições de ensino superior e institutos de pós-graduação para oferta de cursos de especialização ou de atualização com menor carga horária.
De acordo com Lorena, 14 empresas participaram do processo e nove foram credenciadas. “A gente oferece pra eles a inserção de anúncios no site do Conselho e nas redes sociais e, em contrapartida. eles oferecem um desconto nas mensalidades a partir de 20%”, diz.
Comitê do Farmacêutico Jovem
Hoje mais de 60% da força de trabalho na área de Farmácia em Goiás é composta por jovens com menos de 25 anos de idade, conforme aponta Lorena. “Esse pessoal mais jovem merece uma atenção especial no quesito de ser recebido no mercado de trabalho, falar das dificuldades que existem. Nós criamos o Comitê do Farmacêutico Jovem para dar suporte ao jovem que está ingressando no mercado de trabalho, para que ele tenha mais acesso ao conhecimento e segurança nas suas práticas”, afirma. O Comitê é composto por oito universitários que representam a classe estudantil e mantêm constante diálogo com o Conselho.
Valorização profissional
Esse é um dos pontos do tripé em que se fundamenta a gestão de Lorena. “Existia uma expectativa pela valorização do profissional. Lançamos recentemente a campanha de valorização dando enfoque para as 10 principais áreas de atuação do farmacêutico”, diz. A ideia é orientar a população sobre a importância do profissional para a sociedade.
“Uma forma que a gente tem de conversar com a sociedade e mostrar que onde tem farmacêutico, tem um profissional de saúde fazendo o bem pra população. Estamos visitando estabelecimentos de diversas áreas da farmácia para mostrar o quanto esse profissional faz a diferença pra vida das pessoas, traz economia não só pro sistema hospitalar, mas também uma melhor qualidade de vida pra população”, pontua.

(Foto: Esther Teles)
Fiscalização humanizada
Do início de 2018 até setembro, foram realizadas 16, 5 mil fiscalizações nos 6.250 estabelecimentos cadastrados (alguns visitados duas ou três vezes) junto ao Conselho. O principal objetivo é verificar o cumprimento da Lei Federal nº 13.021, de 2014, que exige a presença do farmacêutico durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento.
“O resultado alcançado com base nessas ações foi um perfil de assistência em torno de 79%, o que é considerado um alto índice, uma vez que o Conselho Federal de Farmácia considera como perfil deficiente o patamar abaixo de 40% e as empresas que funcionam de forma irregular são autuadas”, explica Lorena.
Ao assumir a instituição, ela afirma ter adotado um novo modelo de fiscalização, a ‘fiscalização humanizada’ que não objetiva tão somente penalizar, mas orientar os profissionais para que cuidem cada vez melhor da população. Ela explica como isso funciona na prática. “Naquela farmácia onde o profissional tem 95% de presença, pode ser que no dia que o fiscal vá, o farmacêutico não esteja lá. Aquele estabelecimento não é autuado desde que tenha um comunicado justificando a ausência. Não é só a presença, mas a qualificação do serviço prestado é fundamental”, avalia.
O que pesa mais na balança, frisa, é uma assistência farmacêutica qualificada. Os fiscais também têm acesso à ficha de verificação do exercício profissional, a fim de saber quais são os procedimentos prestados como serviços químicos, segmento fármaco-terapêutico,se faz aplicação de injetáveis, etc… “A gente tenta levar a aproximação do Conselho. Hoje, a gente tem uma ferramenta que é o CRF em casa (plataforma disponível no site do CRF) onde o farmacêutico pode comunicar seus afastamentos, férias, justificar sua ausência. Estamos sempre em contato com o farmacêutico em contato, levando orientações, cursos, palestras”, acrescenta.
Escola Superior de Farmácia
“A nossa inspiração é a Escola Superior de Advocacia. Ela vem pra sacramentar mesmo o nosso compromisso com a qualificação profissional e vai potencializar ainda mais oportunidades”, antecipa Lorena. O próprio Conselho irá oferecer cursos de especialização e ela garante que o Corpo técnico, formado por farmacêuticos com expertise em diversos tema, é altamente qualificado para ministrar os módulos.
Na própria escola, será implantada a academia virtual de farmácia, para disponibilizar todo o conteúdo online àqueles profissionais que não puderem participar das aulas presencialmente. Ele poderá assistir às aulas, em seguida fazer uma prova para obter o certificado, no caso de cursos de curta duração.
As capacitações terão enfoque nas dez áreas de maior abrangência profissional: Saúde Pública, Farmácia Hospitalar, Farmácia Magistral, Empreendedorismo Farmacêutico, Homeopatia, Fitoterapia, Estética, entre outros. Os cursos serão gratuitos e ministrados na antiga sede do CRF-GO, que fica no Setor Marista, em Goiânia, ao lado da atual.