São Paulo – O que mais tem atormentado o mundo da política, sobretudo os interessados em vencer as eleições majoritárias para presidente ou governador, é a modulação do discurso. Aqui e acolá converso com pessoas ligadas ao mundo da comunicação, seja do jornalismo, seja da propaganda, e invariavelmente me dizem terem sido sondadas de alguma forma na tentativa de fornecerem, ainda que por meio de conversas informais, percepções nesse sentido. Eu mesmo já dei pitacos a vários desses candidatos e seus emissários.
Para falar a verdade, acho esse cenário até saudável, do ponto de vista da democracia. Mas de antemão acho pouco provável aos políticos serem críveis diante da população com uma ficha corrida extensa ou então com um velho discurso moldado nas inúmeras necessidades que são observadas por nosso povo em todas as pesquisas. Apresentar um rol de sugestões voltadas a corrigir problemas de segurança, saúde, educação, por exemplo, é algo que tenho minhas dúvidas quanto à eficiência. Primeiro porque as pessoas estão cansadas de promessas, depois que a falta de cumprimento delas está patente demais para que isso se torne uma bandeira convincente.
Para mim, aquele ou aqueles que formularem um conjunto de medidas com propostas técnicas e nomes, em torno do combate à corrupção, terá uma chance enorme de agradar. E isso, sinceramente, ainda não vi.
A começar pelo financiamento de campanha. Não é mais possível, a essa altura do campeonato, que se façam campanhas com dinheiro estranho, de origem duvidosa, de fonte esquisita. O que as pessoas buscam é o básico: honestidade, um artigo, digamos, ligeiramente em falta nos últimos tempos.
Então, se eu fosse um postulante a um cargo público faria uma campanha aberta. Colocaria no meu site uma planilha e lá lançaria todos os gastos, da contratação do marqueteiro às viagens, da compra de passagens aos gastos com hotel. Até o pastel de feira, símbolo da demagogia brasileira, estaria lá. Daí criaria uma seção do lado com o dinheiro de entrada, citando todos os doadores e até minha participação. Sim, porque acho que quem quer ser político precisa também colocar dinheiro do próprio bolso e não fazer disso uma fonte de negócio ou de mau uso do dinheiro público.
Depois eu montaria um belo plano de gestão com ênfase ao combate à corrupção. Daria irrestrito apoio às instituições de combate à corrupção, mostraria como seria a minha administração no trato com o dinheiro público, citaria pessoas com as quais contaria para meu mandato, formularia uma primeira medida provisória com um elenco de propostas de contratação de empresas, de licitações, de transferência de ativos públicos à iniciativa privada. Tudo às claras, de forma propositalmente abertas, escancaradas.
Isto posto, daria a maior divulgação possível a isso e esqueceria o restante. Até porque, o povo é inteligente e saberia que se eu fizesse isso estaria praticamente assegurando recursos para as necessárias obras na área da saúde, educação, segurança, obras públicas, estradas etc. etc. etc.