A Redação
Goiânia –
O governo de Goiás, por meio da Secretaria Cidadã, iniciou parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) com objetivo de realizar pesquisas nas unidades do sistema socioeducativo do Estado coordenadas pelo Gecria (Grupo Executivo de Apoio à Criança e ao Adolescente). Nesta semana, o Superintendente Executivo de Desenvolvimento e Assistência Social da Secretaria Cidadã, João Paulo Marra Dantas, e a Diretora Geral Interina do Gecria, Priscila Piretti, participaram de reunião com representantes da UFG para acertar detalhes do trabalho.
Inicialmente, a proposta do Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão do Adolescente era estabelecer um perfil dos jovens. Nas tratativas sobre a pesquisa, a Secretaria sugeriu que a investigação fosse ampliada, envolvendo não só os adolescentes, mas também os servidores do sistema. A parceria tem objetivo de desenvolver um olhar ainda mais qualificado sobre a forma como os adolescentes e os servidores percebem a realidade em que estão inseridos. Dessa forma, os gestores terão elementos para aprimorar as políticas públicas e os mecanismos de ressocialização dos adolescentes.
Os pesquisadores vão entrevistar individual ou coletivamente os servidores e os adolescentes, coletando informações qualitativas que vão servir de base para a análise do sistema socioeducativo. Com dez unidades em funcionamento e outras sete em construção, o sistema socioeducativo em Goiás abriga atualmente 350 jovens.
O projeto de pesquisa está em fase de elaboração pelo Cepea (Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão do Adolescente), sob coordenação do professor da Faculdade de Educação da UFG, Altair José dos Santos, que participou da reunião. O Gecria, órgão jurisdicionado à Secretaria Cidadã, vai fornecer as condições práticas para que a pesquisa seja executada, além do suporte financeiro que será solicitado à Fapeg (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás). Além disso, vai contribuir propondo alguns pontos a serem investigados na pesquisa. A conclusão do trabalho deve levar 18 meses e vai envolver 12 pesquisadores.
O titular da Pasta, secretário Murilo Mendonça, avalia que a pesquisa é um passo importante no aprimoramento do trabalho que é desenvolvido dentro das unidades. “A estrutura física das unidades que já estão em construção será padrão e terá uma qualidade muito boa. Essa pesquisa traz mais um avanço para o nosso trabalho, que é ajudar a melhorar as condições de trabalho dos servidores e o atendimento aos adolescentes”, observa Murilo. “Com o resultado da pesquisa, a Secretaria Cidadã poderá qualificar ainda mais o trabalho desenvolvido com os jovens com objetivo de melhorar o índice de ressocialização”, completou.
O professor Altair José dos Santos destaca que o objetivo é entender como os atores que estão realmente envolvidos no sistema percebem a própria realidade. “Conhecer a perspectiva do adolescente que cumpre medidas socioeducativas de internação sobre a própria socioeducação. E fazer isso do ponto de vista do adolescente e dos servidores que trabalham no sistema socioeducativo é importante para levantar informações que sejam úteis na proposta de políticas públicas relativas a esse universo”, reforça Altair. O trabalho de campo deve começar nos primeiros meses de 2019. Antes disso, o projeto precisa ser apreciado pela Faculdade de Educação da universidade e depois ser submetido à Fapeg.
Fazem parte do sistema socioeducativo em Goiás o Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) Goiânia, CIP Goiânia, Plantão Interinstitucional de Goiânia, Unidade de Semiliberdade de Goiânia, CASE Anápolis, Semiliberdade Anápolis, CASE Luziânia, CASE Formosa, CRAI Itumbiara e o CEIP Porangatu.
Novos CASEs
O governo de Goiás segue com o planejamento de construir novas unidades no Estado, como o CASE de Anápolis, que já está em funcionamento. Goiás é o único estado brasileiro a construir unidades socioeducativas, mesmo com o cenário de crise econômica nacional. No total, serão sete novas unidades.
Somente na capital, os investimentos são de R$ 4.351.753,14 em adequação, ampliação e reforma do Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) de Goiânia e na construção de duas Casas de Semiliberdade, que terão a capacidade acrescida em 140 novas vagas.