A Redação
São Paulo – Filmes caseiros, experimentais, artísticos, transgressores, alternativos e autorais, produzidos em qualquer formato ou suporte, nas mais variadas épocas, com ou sem patrocínio, podem ser vistos este mês no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e na Matilha Cultural, em São Paulo. Toda essa produção audiovisual independente é a base da Mostra do Filme Livre, festival que já passou pelo Rio de Janeiro e por Brasília e que permanece até o dia 22 de abril em cartaz na cidade de São Paulo. A entrada para as sessões é gratuita.
Durante a mostra serão apresentados 230 filmes, 50 deles convidados especialmente para o festival e 180 selecionados após um edital, onde foram inscritos mais de 800 produções. A maioria dos filmes selecionados para a mostra, ou seja, cerca de 85% deles, não conta com patrocínio estatal ou leis de apoio à cultura nacional. “São filmes feitos na raça, mais por amor do que para ganhar dinheiro. São filmes que não precisam dar lucro e nem levar milhões [de pessoas] à bilheteria”, explica Guilherme Whitaker, criador, produtor e coordenador-geral da mostra.
Whitaker conta que a mostra surgiu há 11 anos no Rio de Janeiro, quando foram exibidos 70 filmes, entre curtas e longas-metragens. “A mostra nasceu no Rio e ficou dez anos por lá. No ano passado, na décima edição, chegou a São Paulo e, este ano, em Brasília”, disse. Segundo ele, em todo esse período, a mostra conseguiu acompanhar a mudança nos formatos dos filmes, passando a receber filmes não só em películas ou vídeos, mas também os que foram produzidos até mesmo em celulares, de baixo custo.
“A Mostra do Filme Livre nasceu para dar espaço a filmes alternativos, que buscam invenção na linguagem e que sejam esteticamente mais originais. E isso se encaixa muito com o perfil de curta-metragem, que é um formato mais voltado para as experimentações. Há 11 anos, não havia espaço para curtas em vídeo. Criamos a mostra para dar espaço para essa produção, que é muito grande”, disse Whitaker.
Um balanço feito pelos organizadores da mostra apontou que os custos de produção dos 800 filmes inscritos chegou a R$ 4 milhões, com custo médio de R$ 5 mil por filme. Quase metade dos filmes inscritos teve custo inferior a R$ 100. O gasto total de produção dos filmes selecionados alcançou R$ 1,19 milhão.
Na mostra deste ano, os organizadores decidiram homenagear o cineasta Edgar Navarro Filho, apresentando diversos filmes e curtas do diretor, entre eles O Homem Que Não Dormia (2011). “Ele é uma figura muito amável e nada careta. Já tem mais de 60 anos e fez filmes clássicos em Super-8 e curtas-metragens na década de 1970. Ele ficou muito tempo sem fazer nada e, agora, está lançando seu segundo longa, chamado O Homem Que Não Dormia, que deve entrar em cartaz em breve em São Paulo”, disse Whitaker. (Agência Brasil)