A história é clássica: você conhece um homem interessante e, depois de algum tempo, ele te convida para sair. Noite agradável, papo bom, muitas risadas, química que parece perfeita, enfim, o protótipo do encontro ideal. Na hora da despedida, ele dá um selinho e promete ligar no dia seguinte. Mas desaparece e não atende suas ligações.
Será que ele teve uma crise de apendicite? Será que precisou viajar a trabalho para um lugar onde o celular não pega? A mãe idosa foi internada com urgência? O irmão mais novo bateu o carro depois de sair da balada? Nada disso, querida. Você levou um fora. Um claro e inequívoco fora.
Anote no seu caderninho: quando um homem quer uma mulher, ele a procura sem rodeios. Diferentemente de nós, que somos capazes de ignorar um cara por quem estamos morrendo de atração apenas para dar uma de difícil, eles são rápidos, diretos e objetivos. Se querem, vão à luta e pronto. Simples assim.
Quando um homem deseja de verdade uma mulher, nada o impede de ir atrás dela. Mesmo que tenha sido chifrado por ela com metade da torcida do Goiás e do Vila, ainda que ela seja sem classe, sem beleza, sem cultura, sem caráter, nada disso importa. Para ele, ela é uma musa linda e mais interessante que qualquer outra.
No fundo você sabe disso. É inteligente, esperta, conhece esse roteiro de cor e salteado. Sendo assim, por que continua entrando nessas furadas? Porque nós, mulheres, temos a péssima mania de perder nosso precioso tempo com homens que não estão nem um pouco interessados na nossa pessoa.
Via de regra, o fora que uma mulher leva é seguido de quatro fases. A primeira é a da negação. Ela se recusa a ver o óbvio e aceitar que aquela superprodução com maquiagem da MAC, perfume Dior e o vestido da Bobstore não deu em nada. Não crê que a hidratação da Kérastase paga em seis vezes no cartão foi em vão.
Caída a ficha, vem a segunda fase: a do ódio. Quando percebe que levou um fora, a mulher fica possessa e procura todos os defeitos possíveis e imagináveis no sujeito. Coloca a masculinidade do cidadão em xeque, minimiza suas qualidades, passa a achá-lo brega e bobo, enfim, acaba com a imagem do homem.
Raiva posta para fora, chega a terceira fase: a da culpa. Ele não ligou mais porque ela não é bonita o suficiente. Sumiu porque a companhia dela não é agradável o suficiente. Desapareceu porque, provavelmente, ela disse ou fez alguma coisa de errado. E o pensamento é: “Será que dá para consertar?”.
Pensamento culposo, seguido da quarta e última fase: a da psicose. Você não pode ver um carro parecido com o dele que já fica louca e quer saber aonde vai estacionar. Fuça no perfil do moço 57 vezes por dia e acompanha cada atualização de status. Passa a frequentar os lugares que ele gosta e faz amizade com os amigos dele.
A questão é que você nunca vai saber porque levou um fora. É o tipo de coisa extremamente íntima e pessoal, que muitas vezes não dá para ser dita. Ele pode ter acabado de terminar um relacionamento sério, pode estar apaixonado por outra pessoa ou pode, realmente, não ter te achado interessante.
E não me venha com essa de que “ele deveria ter ligado e sido sincero”, porque você não faria isso. Duvido que depois de sair com um homem de quem você não ficou a fim, você vá ligar para ele no dia seguinte e dizer: “Oi, tudo bem? Olha, você não tem pegada e seu papo é um tédio. Beijo e não me liga, tá?”.
O negócio é aprender com os homens que nos dão o fora. Eles têm ótimas lições para ensinar. A praticidade é uma delas. Se o cidadão vê que daquele mato não vai sair coelho, parte para outra sem cerimônia. Muda de alvo com rapidez, porque o compromisso dele é com a felicidade. Simples assim.
Outra boa lição é a da autoestima. Pergunte ao seu irmão ou aquele seu amigo que está sempre acompanhado quantos foras eles já levaram num mês. Provavelmente, bem mais que o número de homens com quem você ficou a vida inteira. Acontece que eles sabem que um fora não é ofensa pessoal. Um fora só te derruba quando você já está no chão. Uma esnobada só te atinge quando você mesma não se dá moral.
Lição aprendida, garotas, bola para frente e olhares para o lado. Se deixarem esse fora no passado e prestarem mais atenção no presente e em quem está ao seu redor, certamente verão que estão sendo paqueradas por alguém que está de fato interessado. E quando o interesse é recíproco, tudo flui. Não existe bolo nem sumiço. O encontro se dá naturalmente. Simples assim.