Toda vez que leio as belas colunas de Fabrícia Hamu e Bia Tahan, amigas e companheiras de labuta aqui no A Redação, fico com vergonha de mim mesmo. Elas têm uma habilidade extrema e sensibilidade profunda ao descrever o que aflige a mulher de hoje. A reflexão delas sobre as complicações de conciliar trabalho, filhos, relacionamentos e todas as demandas que o mundo impõe às garotas, com generosas doses de feminilidade, é primorosa. E isso me deixa pensativo. Será que o universo masculino é realmente tão mais simplório que o feminino? Ou será que o problema está comigo, que não compartilho das angústias, vicissitudes e dramas do homem moderno?
Acho que é um pouco das duas coisas. Minhas tosqueira é nata. E o que é pior: me orgulha. Aí você já viu que não tem como dar certo, né… Se um amigo me fala que está vivendo um drama para depilar o peito, já o olho com estranheza. Depilar o peito?!? E desde quando homem faz isso? Fico imaginando o John Wayne chegando no Clint Eastwood e debatendo como ele deveria fazer a depilação do peitoral. Impossível sequer projetar tal cena. Esses caras, que são meu paradigma de masculinidade honrada, não se submeteriam a isso. E o que eu vejo de homem se depilando atualmente… Minha retrossexualidade é conservadora demais para entender as demandas do homem metrossexual. E, nesse caso, a falha está comigo mesmo.
Por outro lado, tirando esse aspecto primata e brucutu de minha personalidade, percebo que as complicações que envolvem os homens são bem menores mesmo. Quando estamos entre amigos, os assuntos que normalmente são pauta das minhas amigas do A Redação passam longe da roda. Os problemas que surgem são as encheções de saco femininas por tudo quanto é motivo, as mudanças abruptas de humor tão características das mulheres ou a dificuldade de seguir um relacionamento adiante enquanto aquela mulher sensacional que está ao lado não para de olhar. Não existem sérios dilemas envolvendo foras, fim de namoro/casamento ou questões morais sobre a hora certa de ir para a cama. Tudo isso é rotina. Ninguém se debruça muito nesses assuntos.
É fato que existe um assunto mais tabu nos ambientes masculinos, que é quando um cara é corneado. Nesse caso, a ética barbuda recomenda ignorar tal tema na frente do amigo que foi presenteado com aquele objeto na cabeça. Para ser um bom camarada, é importante forçar a barra para que ele pegue alguém o mais rápido possível e pare de ficar se lamuriando pelos cantos. Isso sim é ser brother de verdade. Problemas com filhos, emprego, família e o que mais vier são debatidos superficialmente e com menos questões morais envolvidas do que observo no universo feminino. As coisas são mais diretas e esquentam menos a cabeça para quem tem cromossomos XY.
A real é que as mulheres não têm foco nas questões de fato relevantes, naquilo que importa de verdade para o bom andar da sociedade. Quer ver como comprovar isso é simples? O que lhe incomoda mais: a derrota do seu time do coração ou se a roupa tal não está boa para ir em determinado ambiente? O aumento do preço da cerveja ou se o calçado tal não combina com a camisa tal? Sério, mulherada… Temos coisas mais sérias na vida para nos preocupar. Tipo o adversário do nosso time na próxima fase da Copa do Brasil…