Logo

Ainda vamos sentir saudades de Temer

06.12.2018 - 18:20:07
WhatsAppFacebookLinkedInX

Não duvido que Jair Bolsonaro venha a fazer um bom governo. Mas todo Presidente da República, nos últimos anos no Brasil, virou alvo de ataques constantes, justificados ou não. Getúlio suicidou-se, Jânio renunciou, Jango teve de se exilar no Uruguai, os militares foram constantemente fustigados, Costa e Silva era objeto de piadas, a Sarney não perdoavam nem os títulos de seus livros, sem falar em Collor e Dilma, Deus me livre!
 
Se alguém imaginar que vai ser diferente com Bolsonaro, sua família e seus aliados, deixa só o tempo passar.
 
O governo Temer começou em 12 de maio de 2016, após o afastamento de Dilma, que vivia dias turbulentos desde que preferiu ser chamada de “presidenta”. Seu impeachment passou a ser almejado pela maioria do País. Substituindo-a, logo de início Temer suportou todo tipo de reação, passando muitas vezes por mal-educadas formas de execração pública. Isso destruiu os índices de popularidade, que nunca chegaram a dois dígitos. Mas, fazendo um balanço geral, chego à conclusão de que vamos sentir saudades do estilo Michel Temer.
 
Não bastassem as críticas políticas em torno de si, Temer viu boa parte da mídia fazer chacotas e deboches, de forma desrespeitosa, com sua mulher, Marcela, como no episódio “bela, recatada e do lar”; a partir de um estereótipo fizeram todo tipo de provocação e achincalhe. Ele e ela suportaram até as referências em torno do seu filho, Michelzinho, por parte de jornalistas que ignoraram o fato de se tratar apenas de um menino de 9 anos. Será que mediram as consequências desses atos, do bulliyng covarde que estavam cometendo, adultos contra uma criança?
 
Mas, mesmo com esses ataques à sua família, o presidente Temer soube ser ponderado. À parte tudo isso, cabe reconhecer que, a despeito da falta de apoio no Congresso, o governo acabou fazendo coisas importantes e que certamente terão impactos positivos para a próxima gestão. O processo recessivo foi interrompido e experimentamos alguma reação da economia. É ainda um desempenho tímido, mas que aponta para cima, um movimento que permite a Temer entregar ao novo presidente um país bem diferente daquele que encontrou.
 
Em seu mandato, Temer também manteve a trajetória descendente da taxa de juro e os níveis de inflação, mesmo em momentos de grave crise, como a dos caminhoneiros, em maio passado. As taxas não fugiram ao controle, ao contrário, mantiveram-se dentro ou abaixo das metas estabelecidas.
 
As pessoas não se dão conta, mas Temer encontrou, por exemplo, uma Petrobras quebrada literalmente, em meio a uma sucessão de prejuízos e com imagem no chão, envolvida em um processo infindável de denúncias de favorecimento e corrupção. Devolve a petroleira ao País praticamente restaurada, com lucro de R$ 10 bilhões, segundo o balanço do segundo trimestre deste ano.
 
Outro ponto positivo se deu em torno das reformas. A da Previdência foi exaustivamente discutida tanto por parlamentares quanto pela sociedade e ficou claro a sua necessidade para a maioria. Isso, certamente, representa um avanço que irá ajudar muito no mandato do novo presidente, a partir de janeiro. Ela segue na pauta política do País e isso é muito importante.
 
Sem muito alarde, o governo processou uma das reformas mais significativas: a trabalhista. Conseguiu aprovar avanços capazes de promover o emprego e facilitar a contratação por parte de empresas. Numa economia em fase de retomada, isso será de vital importância para reduzir o enorme estoque de desempregados que o Brasil herdou. Por fim, a questão da segurança. O governo promoveu a criação do Ministério Extraordinário da Segurança Pública, a intervenção militar no Rio, o envio de tropas para apaziguar problemas em vários Estados. Tudo isso mostrou que o governo manteve o controle e sempre esteve atento a essas questões.
 
O presidente Michel Temer deu mostras de serenidade, revelou ser uma pessoa equilibrada mesmo em meio aos desafios e pressões a que foi submetido. A lembrança de seu governo, no futuro, pode sim nos fazer sentir saudades. Para ser presidente, entendo, é preciso medir gestos e atitudes, agir com rigor e serenidade nos momentos certos. E até mesmo medir palavras, respeitando e valorizando nosso patrimônio que é a língua portuguesa. O ambiente de rivalidade que se estabeleceu no Brasil, a falta de união, de confiança na classe política, vão exigir do novo presidente muita firmeza, pois vivemos sob o risco iminente de que essas relações, abaladas, criem ainda mais nervosismo e desesperança numa população que já vem sofrendo há décadas.
 

*Roberto Duailibi é publicitário

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Roberto Duailibi

*

Postagens Relacionadas
José Israel
28.02.2026
Canetas emagrecedoras e pancreatite

O debate em torno das chamadas canetas emagrecedoras ganhou um novo e relevante capítulo com a divulgação, por parte da Anvisa, de dados sobre casos suspeitos de pancreatite e óbitos potencialmente relacionados ao uso desses medicamentos no Brasil. Embora os números ainda não permitam conclusões definitivas, eles desempenham um papel crucial ao acender um alerta […]

Mara Pessoni
28.02.2026
É possível solicitar um visto para os EUA apenas para assistir a um jogo do Brasil na Copa do Mundo?

É perfeitamente possível solicitar o visto americano para assistir a apenas um jogo da Copa do Mundo de 2026. Na verdade, grandes eventos esportivos são motivos comuns e legítimos para viagens de turismo. Como você já atua na área de imigração, sabe que o desafio não é a justificativa em si, mas a demonstração de […]

Roberta Muniz Elias
27.02.2026
Infância Sem Atalhos: Proteção Total

Diante da ampla repercussão pública nos últimos dias sobre o julgamento no TJ/MG, a proteção da dignidade sexual de crianças e adolescentes voltou a ocupar o centro do debate. Decisões judiciais que, de forma equivocada, tentaram relativizar a aplicação do art. 217-A do Código Penal – dispositivo que tipifica o estupro de vulnerável – suscitaram […]

Décio Gazzoni e Antônio Buainain
25.02.2026
O papel do engenheiro agrônomo na realidade contemporânea

O Acordo entre o Mercosul e a União Europeia significa um marco histórico nas trocas comerciais no mundo, pela amplitude de países, população e valores financeiros (PIB e trocas comerciais) envolvidos. É um exemplo acabado da realidade comercial contemporânea. Do ponto de vista da União Europeia, as vantagens apontam especialmente para uma abertura de mercado […]

Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]