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O futuro e as incertezas de nossa economia

17.12.2018 - 10:35:46
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Fim de ano chegando, todo mundo começa a fazer planos para 2019. Mas, muitos me perguntam, o que devo levar em conta nos meus planos no campo da economia? Eu, que sou um incorrigível otimista, sempre gosto de pensar no melhor, que teremos pela frente um cenário bem mais positivo daquele que nos metemos nos últimos 4 anos. Vejo, sinceramente, algum mérito do período Temer, que bem ou mal conduziu a economia de uma forma a encaminhar pelo menos o fim da recessão. Para o ano que vem, temos inúmeras variáveis a serem consideradas, mas podemos, na média, já considerar que será um ano melhor que 2018.
 
Entre as coisas positivas que vejo há o simples fato de termos um novo governo. Cabe lembrar que ele foi eleito sob a bandeira de fim da corrupção, sabendo que o povo espera por mais empregos, maior crescimento, mais saúde e segurança pública. As pessoas elegeram o presidente Jair Bolsonaro para ter tudo isso. Ele formou uma equipe bastante razoável. Na média e com as premissas já postas, dá para dizer que temos tudo para melhorar a cena econômica e social.
 
Além disso, em economia a gente vive de ciclos. O ciclo ruim aparentemente se esgotou e estamos começando uma nova fase, entrando na parte ascendente da curva. Há dados importantes, como gradual retomada do PIB, do nível de emprego, dos níveis de atividade nos vários setores, a inflação está controlada, as contas externas e reserva estão ok. O nó será resolver o déficit público, baixar despesas e buscar esse equilíbrio.
 
Essa última parte implica em algumas ações cosméticas, como privatizações e cortar na própria máquina, coisas que trazem exemplo e que no todo acabam dando um resultado bastante positivo. O grande desafio, entretanto, continua sendo a Previdência. Se o governo não souber dialogar, se não conseguir o apoio que precisa e o consenso doméstico para apresentar e passar uma boa reforma, estará em palpos de aranha.
 
Não é uma questão difícil de entender. No passado, as pessoas morriam cedo, na faixa dos 50, 60 anos. A população era jovem e havia emprego para tudo mundo. Naquele cenário, muitos pagavam o INSS para que poucos se aposentassem e desfrutassem o merecido descanso. Hoje esse mundo se inverteu. As pessoas chegam com saúde aos 80, 90 anos, o emprego formal perdeu força pela inatividade econômica e pelo surgimento de novos modelos de contratação. Hoje, poucos contribuem para que muitos se aposentem. O resultado é que essa equação todo mundo já viu e não fecha. Se não houver correção, estaremos preparando uma armadilha que cada dia está mais próxima de nós mesmos.
 
Em economia, não adianta, ninguém faz mágica. Se Jair Bolsonaro quiser de fato passar para a história terá de provar todo dia que é honesto, terá de passar a reforma da Previdência e pelo menos a tributária, outro imbróglio dos diabos de difícil acerto. Sem contar que terá, a contragosto até de quem o elegeu, de mexer com os direitos trabalhistas. Como ele sempre diz, as pessoas terão de escolher: ou têm emprego ou têm direitos.
 
Na forma como está, poucos se atrevem a retomar contratações, pois nesse jogo há regras mais favoráveis ao trabalhador, desde que, claro, ele consiga um emprego pela CLT. Ao assumir a folha de pagamento de uma pessoa o empresário precisa colocar no papel todos os encargos e fazer provisão para os demais no futuro. Acontece que não consegue transferir tudo isso para os preços do que produz. O resultado: demissão. O empresário pensa: Melhor produzir menos que cavar a cada dia a própria sepultura diante do fato de que os custos são crescentes.
 
Bem, agora que você já tem uma visão mais ou menos do que vem pela frente, pode sentar e fazer seu orçamento familiar, planejar sua viagem, troca de carro, de emprego etc.. Lembre, sempre, que essa é a visão otimista. A pessimista prefiro deixar para analistas menos positivos em relação às coisas em geral. Se a Previdência passar teremos uma economia sem inflação, câmbio médio estável na faixa de R$ 3,70 por dólar, crescimento do PIB na faixa de 3%, pouco mais para cima ou para baixo dependendo do cenário e do andar da carruagem. Como sou otimista, espero algo na faixa dos 3%.
 
Bom Natal e um Ano Novo diferente, cheio de animação, com muitas perspectivas econômicas boas para todos.
 
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por Eleno Mendonça

*Jornalista, consultor de imagem e diretor da Eastside23 Comunicação Corporativa

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