Marina Morena e Wolney Unes
A nova Orquestra Filarmônica de Goiás faz a primeira apresentação da temporada 2012, na noite desta sexta-feira (20/4), no Teatro Escola Basileu França. O regente e diretor artístico Eliseu Ferreira divide o palco com o regente titular da Filarmônica, Alessandro Borgomanero.
A apresentação envolverá cinco grandes nomes da música clássica nacional e internacional: Cunha (Música para Orquestra de Câmara), Villa-Lobos (Sinfonietta n. 1), Tchaikovsky (Serenade Melancolique op. 26 para Violino e Orquestra), Shostakovich (Adágio p. 129 para Violino e Orquestra) e Nobre (Desafio III para Violino e Cordas).
Temporada
Até o fim deste ano, a Filarmônica de Goiás fará 19 apresentações, distribuídas em espaços culturais da capital goiana: Teatro Sesi, Centro de Eventos da UFG, Centro Cultural Oscar Niemeyer e Centro de Arte Basileu França. Neste último, será sediado o primeiro concerto oficial da temporada, no dia 20 de abril.
Para o programa foram convidados renomados solistas e regentes nacionais e internacionais. Além dos concertos regulares, a temporada trará as séries Concertos para a Juventude, no CCON nas manhãs de domingo, Concertos Didáticos, voltados para a rede pública de ensino, e Concertos de Câmara, no Centro Cultural UFG.
Filarmônica?
Apesar de receber o status de filarmônica, teoricamente uma orquestra que viveria de doações privadas, Borgomanero explica que a orquestra é, inicialmente, apenas estatal. “Temos a idéia de criar uma fundação para receber patrocínio, mas por enquanto não. Esse é um projeto para o futuro”, declara.
O termo filarmônica passou a ser usado no início do século 19, no nascimento da indústria cultural da música. Até então, grupos musicais eram em geral mantidos por mecenas privados, cortes e imperadores. Com o advento de uma classe média urbana ansiosa por entretenimento, surgem as primeiras sociedades de amantes da música – literalmente filarmônicas, em grego. Várias dessas sociedades de amantes da música chegaram a montar orquestras, algumas das quais perduram ainda hoje.
Uma das mais antigas sociedades filarmônicas é a de Londres, que além de sua própria orquestra construiu também sua casa de concertos. Viena e Berlim seguiram-se ao exemplo londrino e são hoje instituições centenárias, com suas ótimas orquestras. Alguns desses grupos são hoje dependentes de apoio estatal e seus músicos são funcionários públicos. Mantêm o título mais por tradição.
No Brasil, as orquestras atualmente em atividade são dependentes de apoio estatal, nada que lembre nem remotamente as sociedades filarmônicas. Em São Paulo há algumas iniciativas do gênero, como a Sociedade de Cultura Artística, fundada há exatos cem anos e ainda em plena atividade.
Atualmente, o termo vem sendo usado descompromissadamente, “orquestra filarmônica“ como sinônimo genérico de “orquestra sinfônica“. Em tempos de parcerias de poder público com sociedade civil, resta saber se a intenção da administração estadual é chamar fundos privados para participar do financiamento do organismo musical.