Não sei você, mas eu tenho a impressão que o advento das redes sociais colocou os adultos no túnel do tempo e os levou de volta à adolescência. De repente, homens e mulheres respeitáveis de mais de 40 anos se transformaram em meninos e meninas de idade não superior a 18 anos.
A cada comentário, foto e observação postada no Facebook ou Instagram da vida, percebo mais o estado adolescente que nos colocamos. Somos adolescentes clamando por aceitação do grupo, querendo pertencer, causar, ser admirado. Clamando por atenção.
Aqueles pensamentos que escrevíamos no caderno das colegas quando tínhamos 15 anos, postamos no nosso Facebook. A diferença é que temos 40, 50, 60 anos e não estamos mais no colégio. Mal sabia Clarice Lispector que ela seria a escritora de “autoajuda” mais citada nas redes sociais. É de revirar no túmulo.
Se você realmente se interessar, pode saber o que uma pessoa comeu no café, almoço ou jantar. Acompanhar cada passeio, compra, restaurante, drink da viagem de Sicrano para Itália. Ver em tempo real os flashs daquele casamento para o qual não foi chamada.
Também pelas redes sociais sabemos quem casou, separou, e se brincar, até quem traiu quem. Uma conhecida minha brigou com o marido pela manhã e à tarde, ele já anunciava sua solteirice pelo espaço digital. Nem a assinatura do divórcio é mais irreversível do que mudar seu estado civil de casado para solteiro na rede.
Também pela rede sabemos quem é religioso e quem não é. Quem faz ioga ou corre maratona. Quem ama churrasco e quem não come bicho. Quem acorda de bom humor e sorri: “bom dia a todos meus facefriends.”
Outra coisa que ficou difícil ultimamente é mentir, especialmente para o chefe ou namorada. Está fora de cogitação. Nem pensar. Se a mentira tinha pernas curtas, agora nem pernas tem. Não dá mais pra inventar uma gripe para o chefe e ser fotografado pulando em cima do trio elétrico da Ivete. Aliás, que graça tem ser convidado para subir no trio da Ivete e não poder postar nenhuma foto?
As redes sociais acabaram com qualquer tipo de mistério. Estamos tão expostos que não existe mais público e privado. Está tudo junto e misturado. Por ingenuidade, vaidade ou carência nossa vida virou um espetáculo. E muitas vezes bem chato.