A Redação
Goiânia – Em pleno Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, os médicos da Clínica Atto de saúde mental organizam evento em Goiânia. Com base na premissa de quebrar tabus, e debater sobre o tema, o ato em prol da vida levará a discussão para fora das paredes de clínicas e consultórios, e se instalará nesta quinta-feira (19/9) no Lago das Rosas. A ação contará com oficinas, palestras, atividades físicas e distribuição de mais de 5 mil folders explicativos para ajudar na luta contra a prática.
Para os profissionais da psiquiatria e psicologia, as razões para o suicídio podem ser distintas, porém mais comuns do que se imagina entre a população de um modo geral. Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, já pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Na maioria das vezes, no entanto, é possível evitar que esses pensamentos suicidas virem realidade, sendo que a primeira medida é mesmo a prevenção através do conhecimento dos sinais da pessoa com predisposição suicida e da quebra de preconceito.
De acordo com o psiquiatra Henrique Cabral, um dos que estarão presentes no evento de quinta, é muito importante que o assunto seja discutido, que a sociedade deixe de encarar o suicídio como um segredo de família, motivo de constrangimento e por isso guardado a sete chaves.
Como já aconteceu no passado com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde 32 pessoas por dia tiram a própria vida. Por isso, é essencial deixar os preconceitos de lado e conferir alguns dados básicos sobre o assunto.
Confira o cronograma de atividades:
8h – Recepção/ café da manhã
8h45 – Sessão de alongamentos geral
9h às 10h30 – Oficinas
• Avaliação física (IMC, CC, CQ, CP, dobras cutâneas)
• Aferição de pressão
• Ginástica funcional
• Massagem
• Musicoterapia
• Yoga
• Estação da Beleza
• Apresentações musicais
• Distribuição de material de informação e conscientização
• Atendimento ao público (Assistente social, psicólogos, terapeutas ocupacionais)
10h30 até 13h – Palestras
Abaixo, 10 questionamentos sobre suicídio
1 – Como podemos definir suicídio?
Suicídio é um gesto de auto destruição, realização ou desejo de morrer ou de dar fim à própria vida. Pessoas de todas idades e classes sociais cometem suicídio. A cada 40 segundo uma pessoa se mata no mundo. De cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são impactadas, sofrendo sérias consequências difíceis de serem reparadas.
2 – O que leva uma pessoa a se matar?
Vários motivos podem levar uma pessoa ao suicídio. Normalmente não é um motivo único, e sim um conjunto de situações e a pessoa tem a necessidade de aliviar a pressão externa como cobranças sociais, culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso, humilhação etc.
3 – Como se sente quem quer se matar?
No momento em que tem ideias suicidas, a pessoa combina dois ou mais sentimentos ou ideias conflituosas. É um estado interior chamado ambivalência. Ela busca atenção por se sentir abandonada, um isolamento insuportável. Muitos tem um desejo de revide ou imposição do mesmo sentimento negativo. Outros já sentem vontade de “sumir”, fugir, desaparecer. Quase sempre sentem necessidade de alcançar a paz.
4 – O sentimento e o impulso suicida são normais?
Pensar em suicídio é algo que faz parte da natureza humana, e é estimulada pela possibilidade de escolha. O impulso também é uma reação natural, especialmente nas fragilizadas diante de situações que despertam possibilidades de suicídio.
5 – Quem se mata mais: homens ou mulheres?
Os homens normalmente se matam mais, embora as mulheres tentem mais vezes.
6 – O suicídio está ligado a alguma doença mental?
Quem tenta suicídio pede ajuda. O suicídio resulta de uma crise de duração maior ou menor, que varia de pessoa para pessoa. Os principais transtornos são:
– Depressão,
– Dependência química – álcool e drogas,
– Esquizofrenia.
Seja qual for o transtorno e sua gravidade sempre haverá um momento crítico a ser superado.
7 – Pessoas que ameaçam se matar podem desistir da ideia?
Sim. Ao receber ajuda preventiva ou oferta de socorro diante de uma crise, elas podem reverter a situação e colocar para fora seus sentimentos, alterando assim seu estado emocional.
8 – Quem está por perto pode ajudar? Como?
Sim pode. É preciso perder o medo e se aproximar das pessoas e oferecer ajuda. A pessoa que está numa crise aguda se percebe sozinha e isolada. Se um amigo se aproximar e perguntar “tem algo que eu possa fazer pra te ajudar? o suicida pode sentir uma abertura para desabafar. O importante é estar preparado para ouvir respeitando o momento e a forma de pensar desta pessoa.
9 – Quais as estatísticas de suicídio no Brasil?
A média brasileira é de seis a sete mortes por 100 mil habitantes, bem abaixo da média mundial – entre 13 e 14 mortes por 100 mil habitantes. Mas o que preocupa é que, enquanto esta média mundial permanece estável, esse número tem crescido no Brasil. E o maior aumento de suicídios é registrado entre jovens de 15 a 25 anos.
10 – O suicídio pode ser prevenido?
Sim. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda, seja ela voluntária ou profissional.