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Para evoluir é preciso conviver com a diversidade

20.11.2019 - 09:22:42
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Goiânia – Você é do tipo que se preocupa em disfarçar as emoções, ou é aquele tipo de pessoa que vive o que sente sem se preocupar com a opinião alheia?
 
Tem quem ame e demonstre. Por outro lado tem que prefira amar em silêncio, quieto, sem gritar ao mundo o que está sentindo. Existem aquelas pessoas que levantam a cabeça e seguem adiante sem medo do que os outros vão pensar. Já outras abaixam não só o olhar, como a cabeça, literalmente, para não ter que encarar o mundo olhando-o nos olhos.
 
Tem quem goste de conversar, desabafar, colocar pra fora em forma de palavras. Existem aquelas outras pessoas que preferem os gestos como um abraço, um carinho, ou apenas um aperto de mão. Não podemos esquecer também daquelas pessoas que sentem caladas. Não importa se o sentimento é bom ou ruim, elas o sentem caladas, no canto delas, sem toque, sem olhar, sem palavras.
 
As pessoas são surpreendentes. Sim, elas são! Algumas nos surpreendem para o lado "bom, outras para o lado "ruim". Mas bom e ruim também tem lá suas variações. O que pode ser agradável para mim, pode ser um incômodo para você, e vice-versa.
 
O que você tem que entender é que cada um vive de um jeito. Cada um tem um ritmo de vida, um ritmo de encarar as situações que aparecem.
 
E como as pessoas gostam de se meter na vida uma das outras não é verdade? O que uma criança pediu para o Papai Noel é o maior desejo dela, e jamais deve ser menosprezado. Se um casal, seja ele hétero ou homoafetivo, decidiu se casar, sua única preocupação é se eles serão felizes e se vai ter bem-casado (docinho) na festa – sim, eu gosto de doces rsrs. Se uma família é composta por mãe e pai, duas mães, dois pais, ou uma mãe e um pai, isso pouco importa. O que importa de verdade é que eles sejam felizes e que os filhos se sintam acolhidos e amados no ambiente em que vivem.
 
Que egoísmo é esse em pensar que todos têm que ser iguais? Que egoísmo é esse em não aceitar o que é diferente de você ou do que você imagina?
 
O ser humano é um animal que aprendeu a viver em sociedade (ou pelo menos deveria ter aprendido). Quando nossa preocupação em relação ao próximo é se ele está bem, se está feliz, ou se precisa de uma ajuda, esta preocupação é válida. Mas se preocupamos com a roupa que o outro vai usar, com a cor da pele, do cabelo, com a orientação sexual, com o trabalho desempenhado pelo outro, aí precisamos colocar o pé no freio e nos colocarmos no nosso lugar.
 
Temos que entender que ajudar é uma coisa, se intrometer é outra. Estender a mão é bem-vindo, decidir pelo outro é covardia. Querer que todo mundo siga a nossa "cartilha", nosso ritmo de vida é o mais puro egoísmo. Cada pessoa é única e deve ser respeitada.
 
Quando cada um se preocupar mais em ser realmente uma pessoa melhor, em estender a mão para ajudar, em não se preocupar com as escolhas dos outros, aí sim começaremos a caminhar na estrada da civilidade. Mas enquanto nos preocuparmos com o que não deveríamos preocupar, permaneceremos no caminho inútil da futilidade. Não que futilidade não seja bom. Ela só é boa quando parte de nós para nós mesmos. Quando nossa futilidade começa a tomar conta da vida do outro é preciso rever nossas atitudes.
 
Não disfarce seus sentimentos, não camufle suas vontades. Que possamos viver como somos de verdade, sem nos preocuparmos com a opinião alheia, sem sofrermos represálias por sermos quem somos. Cada pessoa é única. E a graça da vida é a diversidade. Só em meio a diversidade somos capazes de evoluir.
 

*Fabrício Santana é jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia pela PUC Goiás

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por Fabrício Santana

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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