Era janeiro de 2011. Eu estava de férias em um paraíso divino na Terra: Jericoacoara, no litoral cearense. Em um escasso acesso à internet, vejo que Ronaldinho Gaúcho havia fechado contrato com a equipe rubro-negra. Tal qual meu cunhado, simpatizo com o clube carioca. Ao comentar com ele a notícia, ele se mostrou reflexivo:
– Acho que vai ser uns dois ou três por semana…
Na mais completa inocência, perguntei:
– Gols?
– Não, bailes funk!
Rimos e continuamos a bebericar uma caipirinha, observando a beleza do Oceano Atlântico. Nunca me esqueci do comentário. E a cada novidade sobre as baladas, atrasos e desempenhos frustantes do craque (ex?) em campo, me lembrava do aviso profético de meu cunhado. É lógico que Ronaldinho Gaúcho não funcionaria no Flamengo. A lógica interna do clube é bagunçada demais para colocar nos trilhos alguém que preza pelo bem bom da vida. O Flamengo já é maloqueiro demais para aumentar seu índice de maloqueiragem.
Em alguns momentos, até me empolguei e considerei que Ronaldinho havia voltado a ser aquele jogador que vive no imaginário do torcedor mundial. Mais especificamente, após a partida épica contra o Santos. Bobagem! Aquilo foi só uma fagulha, uma efemeridade na sequência de descaso e pouca vontade do jogador dentro de campo. A cabeça do cara não está mais dentro das quatro linhas.
É até legítimo ele querer outras coisas da vida depois de ser o melhor jogador do planeta, vencer uma Copa do Mundo e tudo mais. Depois de tantas glórias, o cara quer mesmo curtir a vida, tocar um pagode, pegar umas minas. Tudo certo. Só não é justo receber uma milha e meia por mês para jogar pelada, chegar de ressaca em treinamento e fazer pouco caso do torcedor. Ou o cara se aposenta, ou age com todo profissionalismo possível. Ronaldinho não fez nenhuma das duas coisas.
Acho difícil ele ter mercado no futebol brasileiro depois dessa péssima passagem pelo Flamengo. No Grêmio, ele não tem o menor espaço por conta das mágoas deixadas quando ele fechou contrato com o time do Rio de Janeiro. No Palmeiras, que também estava na disputa por R10 naquele momento, a proposta sequer foi ouvida pela diretoria. Não acredito que os demais clubes de tradição do futebol nacional encarem o risco do tamanho do custo de Ronaldinho. Acredito que ele irá para mercados menores do futebol internacional, como Japão, EUA, Oriente Médio, Ásia ou Turquia. Por lá, ele levantará uma boa grana, fará algumas embaixadas, mostrará em segundos a razão de já ter sido o melhor do mundo e voltará depois de um ou dois anos para seu sambinha querido na terra natal.
E pensar que a gente imaginou Ronaldinho fazendo companhia para Neymar, Ganso e Lucas na seleção de 2014 jogando a Copa no Brasil… Depois desse fiasco no time de maior torcida no país, Ronaldinho agora só jogará Copa de showbol. E olhe lá.