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Isolamento social: o meio ambiente agradece

06.04.2020 - 10:41:26
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Goiânia – Fazer do limão uma limonada. Essa é a frase mais utilizada para se manifestar o desejo de transformar uma situação aparentemente ruim em algo positivo. Não é necessário esforço para perceber o estado de calamidade pública, de saúde e econômica, que o Brasil e o mundo estão experimentando, com restrição de aglomeração, cancelamento de eventos, fechamento de estabelecimentos comerciais e de ensino, dentre outras medidas de contenção.

 
Mas apesar desse cenário de terror provocado pela Covid-19, algo de bom floresce, literalmente. Com a diminuição drástica de tráfego de carros, navios e aeronaves, a poluição do ar, solo e águas igualmente sofreu uma queda brusca em seus números e os efeitos foram logo percebidos pela população.
 
A aparição de golfinhos e cisnes nos canais de Veneza na Itália ou mesmo a simples visão de um céu mais limpo e com as águas mais cristalinas são alguns dos sinais positivos trazidos pelo confinamento de pessoas neste período.
 
Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a poluição do ar é responsável pela morte prematura de 7 milhões de pessoas por ano no mundo. Um estudo realizado pela Universidade de Stanford (EUA) sobre a qualidade do ar comprovou que os níveis de partículas tóxicas na China caíram pela metade nas cidades em que o isolamento foi realizado de forma mais agressiva, a exemplo de Wuhan. Ainda pelas estimativas deste estudo, essa melhora na qualidade do ar seria capaz de salvar 50 mil chineses contra os 3.200 falecidos em decorrência direta da Covid-19.
 
A Agência Ambiental Europeia divulgou relatório em que comprova a diminuição de 47% da concentração de dióxido de nitrogênio (gás responsável pela inflamação das vias aéreas das pessoas) na região norte da Itália. Dados semelhantes foram divulgados pela Agência de Proteção do Meio Ambiente quanto ao território dos Estados Unidos, especialmente no Estado da Califórnia.
 
No Brasil, esta melhoria na qualidade do ar foi percebida principalmente na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, onde os moradores conseguiram ver o céu limpo, com menos poluição.
 
Por certo que a pandemia não é boa para a saúde humana, quando, ao contrário, é extremamente danosa e, em alguns casos, até letal, contudo, está servindo para demonstrar como as operações humanas podem ser nocivas à qualidade de vida dos cidadãos. O quanto conseguem atuar como catalizadores de doenças que se aproveitam do estado de debilidade das pessoas para provocarem a morte, ainda que de forma invisível com lançamento de partículas tóxicas no ar.
 
Passada a pandemia, as atividades comerciais serão aceleradas sobremaneira, com a reestruturação das empresas e dos postos de trabalho, que se mostra extremamente necessária e urgente. O desafio, então, será a adoção e incentivo de práticas para que a retomada do desenvolvimento seja feita de forma sustentável, não esquecendo das importantes lições e, principalmente, dos altos custos econômicos, sociais, de saúde e ambientais que esta doença e o meio ambiente estão a nos ensinar.
 
Márcio Moraes é advogado especialista em direito urbanístico e membro da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB de Goiás
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por Márcio Moraes
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