Rotina mudada, em função do isolamento social que o novo coronavírus impôs a todos – para evitar que o vírus se propague –, confinando inclusive os pequenos animais que muitos de nós criamos em casa, vamos convivendo mais com os pequenos companheiros de reclusão.
Impedidos do passeio matinal, e também das outras saídas de casa, os nossos animaizinhos de estimação, conosco em todos os momentos, têm compreendido a situação e aceitado ficar o tempo todo nessa nova vida sem reclamar muito.
Yorkshire terrier, raça canina de pequeno porte do grupo dos terriers, originária do condado de Yorkshire na Inglaterra – como nos ensina o sítio eletrônico
Wikipédia, da Google –,
Babi tem se comportado como uma lady. Alegre, sempre feliz com a nossa chegada, carinhosa e o tempo todo procurando ficar ao nosso lado, agora se revelou uma grande mãe, colocando os filhotes em primeiro lugar.
Ela está conosco há um ano. Morava em Caldas Novas, com a nossa amiga Iraci Costa, numa casa, com toda liberdade e espaço. Com a mudança da tutora para Goiânia e como ela tinha outro animalzinho para cuidar, Babi teve que arranjar nova morada.
A acolhida se deu em função de nossa primeira netinha, Antonella, que sempre foi encantada com a cachorrinha, desde que ela chegou. Filho de Iraci e nosso genro, Rodrigo Machado, no final de 2018, trouxe Babi para ficar com Antonella, então filha única, mas a mãe, Rossana, nossa filha e em nova gravidez, preferiu que a yorkshire não ficasse no apartamento deles.
Diante desse aparente impasse, Heloísa, bióloga e sempre muito afetiva, não pensou duas vezes e acolheu a pequena yorkshire, pensando primeiro em agradar a netinha Antonella, e isso efetivamente aconteceu.
Já com mais de nove anos, e portanto também na terceira idade, Babi adaptou-se com facilidade à nova rotina, de vida em apartamento e novas regras. O mais importante é que veio movimentar a nossa vida, com passeios matinais, preocupação com a alimentação e a saúde, vacinas, o banho semanal etc.
O tempo passou, a cachorrinha se entrosou e eis-nos envolvidos com ela.
Algum tempo depois, nos passeios matinais daqueles dias, o incômodo dos outros cachorros, todos querendo se aproximar da Babi e ela, inocente, parecia não entender o que se passava. Ela apenas queria passear, ir por uma, duas, três quadras.
De repente, no meio dessa aparente tranquilidade, uma nova mudança na rotina da casa.
Mariana, nossa segunda filha, tinha adotado em 2017 um cachorrinho ainda bebê, lindo, a que deu o nome de Baltazar, agora já com dois anos de idade, todo esperto e ágil. É de uma raça de grande procura no momento, spitz-alemão pequeno, parecido com o lulu-da-pomerânia, que é a menor variedade da linhagem, nativa da Pomerânia, uma região que engloba parte da Alemanha e Polônia na Europa Central, como nos ensina o Wikipédia.
Numa das visitas de Baltazar ao nosso apartamento, a Babi “naqueles dias”, eis que acontece o imprevisto. Os dois cruzam. Uma única vez.
A expectativa era de que teria sido um ato sem maiores consequências.
O tempo passou rápido e as desconfianças logo se confirmaram, em especial com a ida à médica-veterinária.
Os passeios matinais continuaram, ela mais quieta, não querendo voltas mais longas. A barriga crescendo. A nova ida à veterinária com nova surpresa: seriam quatro filhotes, o que de início nos assustou. Diante de alguns problemas, em especial pela idade dela, foram passados medicamentos e redobrada a atenção.
No dia do parto, Mariana veio e a buscou para levá-la à clínica veterinária, pois a idade nos preocupava, em especial por ser a primeira cria. Em seguida, a surpresa agradável dos quatro filhotes, duas fêmeas e dois machos, lindos, puxando a beleza do pai e o pelo escuro da mãe.
Como não iríamos vender os filhotes apareceram muitos interessados em ganhar um, e eles foram distribuídos rapidamente. Heloísa reservou uma filhote.
Passados quatro meses, Neguinha, com seu pelo escuro, é um pequeno furacão, com sua agilidade e sua voracidade em comer ou destruir tudo que vê pela frente: sapatos, sandálias, jornais, revistas, os pés dos sofás, que foram rasgados e por aí afora.
Tudo rotineiro, como os demais cãezinhos.
O que ficou dessa nova convivência foi a delicadeza e o forte sentimento materno da Babi, desde quando os quatro moravam com ela, sempre tranquila para amamentá-los, acolhê-los, acalmá-los e estar juntos.
Nesse período em que estamos mais próximos, quatro meses depois, o espírito materno continua falando mais alto e ela sempre deixando que a filhote, ávida por comer e passando por cima dela, se sirva primeiro, para depois se servir.
Um ato de amor.
*Jales Naves é jornalista e escritor