As dificuldades geradas pela pandemia e consequente quarentena, ao mesmo tempo que exigem do setor público um comportamento proativo, evidenciam a qualidade ou a fragilidade de seus gestores. Um momento que não permite amadorismo,
principalmente diante do desafio de enfrentar a crise sem paliativos no presente que comprometam a qualidade de vida no futuro.
A perigosa iniciativa da Prefeitura de Goiânia, nesta segunda (13 de abril) ordenando a secretaria de Educação a suspender 3,1 mil contratos temporários de educadores, vai contra toda cruzada nacional pela manutenção do emprego e renda, além de ferir na raiz
a força de quem fará o futuro. São educadores que vinham, sem orientação, apoio e com recursos próprios, se virando para levar aos estudantes algum conteúdo por vias digitais, como exige a quarentena.
Ao contrário, o desmonte do setor educacional, para resolver problemas de caixa, revela miopia sobre o significado da educação para a qualidade de vida no futuro. É investindo em profissionais e na infraestrutura educacional, que teremos uma educação no
município de Goiânia, com a qualidade preconizada pelas 10 diretrizes, 20 metas, 254 estratégias e 14 artigos que formam o PNE – Plano Nacional de Educação.
O momento é de insegurança e crise, para todos setores da gestão pública, mas a demissão em massa será um duro golpe ao planejamento pedagógico deste fatídico 2020, tanto para as famílias dos profissionais demitidos quanto para toda a sociedade.
O que está em jogo é a vida, a segurança emocional, sobrevivência financeira, compromisso educacional e a capacidade futura de 105 mil estudantes da rede municipal. Nenhuma geração prescinde de estadistas que se comprometam com o futuro, mesmo que não possam estar lá.
*Talles Barreto é deputado Estadual e presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Assembleia Legislativa de Goiás