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Como JK se livrou de golpe militar antes de sua posse

27.04.2020 - 12:15:24
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Juscelino Kubitschek já se credenciava como forte candidato a Presidente, construindo sólida carreira política como deputado federal, prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas Gerais. As figuras mais tradicionais do PSD, partido do político mineiro, não apoiaram sua candidatura, mas JK contava com o suporte de setores mais progressistas do partido, como o deputado federal por São Paulo, Ulysses Guimarães.
 
Para dar mais musculatura e se fortalecer eleitoralmente e viabilizar sua candidatura, Juscelino (do PSD) se viu obrigado a fazer parceria com o adversário João Goulart (do PTB), herdeiro político do Getulismo. Se elegeu com essa aliança, mas teve menos votos que o seu vice, pois à época o eleitor podia dar voto ao titular e ao suplente, ganhando pela soma das legendas que o apoiaram. Isso levou um grupo de oficiais do Exército a ameaçar um golpe militar para impedir sua posse.
 
No entanto uma figura política pouco lembrada da história brasileira, general Henrique Teixeira Lott, impediu o golpe militar pretendido pelos setores conservadores das Forças Armadas e lideranças da UDN, que armavam impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e do vice João Goulart. 
 
Os ataques virulentos do udenista Carlos Lacerda contra JK, chamando-o de corrupto e amoral, não impediram a vitória do político mineiro com 36% dos votos sobre seus oponentes: o militar Juarez Távora (UDN/PDC/PSB/PL), com 30%, Ademar de Barros (PSP), com 26%, e o integralista Plínio Salgado (PRP), com 8%, em 3 de outubro de 1955. No seu jornal “Tribuna da Imprensa”, Carlos Lacerda criava pânico, com falsas notícias, nos setores da classe média antes da eleição.
 
Segundo ele, Jango, com a ajuda do argentino Perón, do PCB e do dinheiro “espúrio” de JK, contrabandeava um arsenal bélico da Argentina para “implantar a ditadura sindicalista” no Brasil. Em 1º de novembro, quase um mês após a vitória da chapa JK-Jango, o coronel Jurandir Bizarria Mamede, ligado à Escola Superior de Guerra, escolheu o enterro do general Canrobert Pereira da Costa (chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e então presidente do Clube Militar) para defender o golpe militar contra a posse dos eleitos, que se realizaria no início de 1956. O que foi abafado pelo general Lott e a posse democraticamente se consumou. Para felicidade da nação.
 
*José Osório Naves é jornalista e escritor, presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás em três mandatos consecutivos (1965-1974).
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por José Osório Naves

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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