A Redação
Goiânia – Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 8 milhões de pessoas no Brasil sofrem com a infertilidade. No mundo, são de 50 a 80 milhões, somando 15% da população mundial. “A infertilidade tem aumentado gradativamente nas últimas décadas. Nos últimos 40 anos, a qualidade do espermatozoide caiu em torno de 50%”, afirma o médico do Instituto Unio de Saúde Integrada e responsável pelo serviço de infertilidade masculina do Laboratório de Reprodução Assistida da Universidade Federal de Goiás, Manoel Rocha.
Trabalhando há mais de 12 anos com medicina preventiva, o médico afirma que a maioria dos casais tem adiado os planos de terem filhos e buscam ajuda depois de um certo tempo tentando engravidar sem conseguir. “A maioria dos casais buscam em torno dos 30 a 40 anos, embora fosse preferível buscar fazer uma avaliação mais cedo, até antes do casamento. Para quem planeja ter filho um dia, o ideal seria começar avaliação no final da adolescência porque podemos começar com práticas preventivas para isso. É importante não esperar só depois que teve a infertilidade para buscar ajuda médica”, afirma Manoel.
Causas comuns e causas sem motivo aparente (idiopáticas)
A nutricionista do Instituto Unio de Saúde Integrada, Mariana Parente, afirma que, além da tentativa de engravidar com idade mais avançada, algumas causas da infertilidade podem ser o estilo de vida prejudicial, como má alimentação, sedentarismo, excesso de toxinas e estresse. “Idade mais avançada, comprometimento emocional, alimentação inflamatória, deficiências nutricionais, envelhecimento ovariano, alterações nas etapas de espermatogênese e alterações hormonais são algumas das comorbidades que influenciam na dificuldade de concepção”, diz.
“Na mulher, problemas anatômicos e estruturais do útero, má formações, obstruções nas trompas ou inflamações pélvicas, problema de ovários policísticos, endometriose e o uso de anticoncepcionais por longo período alteram os hormônios e causam desequilíbrio. Nos homens, as causas mais frequentes da infertilidade são a varicocele (dilatação anormal das veias testiculares), casos de testículo oculto na infância que podem evoluir com infertilidade ou de caxumba podem causar azoospermia (ausência de espermatozoides) e infecções testiculares ou inflamações por doenças infecciosas ou sexualmente transmissíveis. Em ambos os sexos podemos ter problemas hormonais, como o desequilíbrio na tireoide”, explica dr Manoel.
Os fatores idiopáticos, segundo o médico podem ser a exposição aos xenoestrogênios, que são substâncias tóxicas como o bisfenol (presente em plásticos e papeis termossensíveis) e aos metais tóxicos, como mercúrio, chumbo, alumínio. “Esses são os inimigos ocultos e, por isso, hoje fazemos uma investigação ampla de causas que antes não eram procuradas. Temos ainda hoje o problema da radiação eletromagnética pelo uso de celulares que ficam no bolso ou do notebook nas pernas, tudo isso pode interferir e causar danos nos ovários e testículos. São causas menos conhecidas, mas que devemos estar atentos também”, explica o médico.
Caso paciente com diabetes tipo 1 engravidou após tratamento
“Ela chegou ao consultório indicada por uma amiga que também havia passado por esse processo de regulação do organismo para a gestação. Com quatro meses de tratamento, ela estava livre dos medicamentos, mas o tratamento complete para a melhora da saúde durou cerca de dois anos e ela engravidou no final de 2018. Isso mostra que é possível reverter casos como o diabetes tipo 1 e outras doenças autoimunes. O importante é buscar a causa e procurar corrigir o organismo como um todo”, pontua Manoel.
Diagnóstico e tratamento individualizado
A história clínica do paciente é muito importante para dar início à investigação de causas. Exame físico anatômico e exames laboratoriais para avaliação do eixo hormonal também são pedidos pelo médico. Se as causas forem idiopáticas, o ajuste na alimentação pode ajudar. Nutrientes como o zinco, cromo, boro e vitamina E são importantes para a produção de espermatozoides. A carência nutricional também é um fator que pode causar alterações e o que é consumido até 85 dias antes influencia na qualidade do óvulo produzido.
“Neste sentido, é muito importante fazer limpeza de terreno biológico e avaliar alterações hormonais e nutricionais individualizadas. Modulação da glicemia, eliminação de toxinas, reposição de déficits nutricionais, melhora de parâmetros inflamatórios, modulação hormonal com fitoterapia e modulação intestinal são muito importantes nesse processo.
Existem estudos mostrando resposta significativa com uso de fitoterápicos e nutrientes nessas etapas como, por exemplo, a morus alba que tem efeito estrogênio e pode reduzir envelhecimento ovariano. Mas, vale o alerta: assim como os medicamentos, os fitoterápicos ajudam, mas podem gerar infertilidade e aborto se usados de maneira incorreta. É preciso avaliar de maneira individual”, diz a nutricionista Mariana.