Poucos assuntos encontram um consenso de importância tão grande quanto o direito à saúde. Prova disso são as cenas aterrorizantes que passamos a ver com indignação nos noticiários brasileiros. Imagens dolorosas que são fruto de um sistema de saúde colapsado e sucateado. Pacientes deitados em macas e instalados provisoriamente em corredores de hospitais são registros que se tornam cotidianos, mas que não devem, jamais, serem normalizados.
Infraestrutura hospitalar, equipe multidisciplinar, insumos e um sistema de regulação de vagas eficiente são alguns dos investimentos que precisam ser priorizados. Junto a isso, é urgente estabelecer um plano logístico capaz de atender aos casos complexos com rapidez e segurança, caso da remoção aeromédica — aparato necessário para dar oportunidade de vida a quem luta por ela.
Estes problemas não são de agora. No entanto, a pandemia chegou para escancarar essa triste realidade: a completa falta de estrutura assistencial. Desde março, focamos nossa operação para o socorro de pacientes infectados com covid-19, mas também com problemas cardíacos, de obesidade, recém-nascidos com doenças congênitas, e atenção às mais específicas necessidades.
Hoje, os céus de todo o Brasil são os locais de trabalho de dedicados profissionais da saúde que, em meio à pandemia, tiveram suas atuações ressignificadas. É sobre as nuvens, neste ambiente reflexivo, que voam diariamente profissionais da Brasil Vida. Estes, para ser, em muitos casos, a última chance de pacientes acometidos por enfermidades de alta complexidade.
Nos rincões do Brasil, em meio à precariedade de assistência, o juramento de salvar vidas é cumprido em aeronaves equipadas com UTI e medicamentos de uso intensivo. A cada decolagem, ressaltamos o compromisso em cuidar e amparar aquelas pessoas cujas vidas são confiadas a nós.
Neste período de emergência sanitária, homens e mulheres se empenharam rapidamente para estabelecer protocolos de segurança adequados à transferência aeromédica de pacientes com coronavírus. Essa perspicácia e agilidade, que estão em nosso DNA, foram importantes para atuarmos em missões de salvamento em diversas partes do País e, até no exterior, como na repatriação de turistas que estavam quarentenados em um cruzeiro no Chile.
Lá, como em qualquer outro lugar em que pousamos, está uma equipe movida pela missão de prestar atendimento médico humanizado e de excelência. Que seja capaz de trazer conforto, esperança e, acima de tudo, força para lutar contra as mais diversas mazelas.
Costumamos dizer que não há outro lugar mais firme do que a milhares de pés para exercermos o que norteia a cada um de nós. Sabemos cuidar, temos amor pela medicina e respeito pela vida. É com este sentimento que embarcamos todo dia para conhecer histórias de luta, de superação e de sonhos. O céu é um bom lugar para sonhar e decidir fazer o melhor. O nosso é continuar a romper fronteiras para garantir saúde a quem precisa.
Durante as missões, sabemos que nossa passagem será rápida, em voos carregados de boa energia, fé e expectativa. Seguimos cientes de que muitos dependem de nosso zelo humanizado e ágil. Para nós, assegurar acesso à saúde é um valor. Que passe a ser também a agenda de cada representante do povo brasileiro. Saúde!
*Ramon Mesquita é enfermeiro e coordenador aeromédico da Brasil Vida Táxi Aéreo.