A pandemia de covid-19 virou o planeta de cabeça para baixo, determinando mudanças no modo como as pessoas irão viver de agora em diante. E não estou falando do uso de máscaras no rosto, álcool em gel e do hábito de lavar as mãos com mais frequência. Mas, sim, de uma mudança de mentalidade. O coronavírus está mostrando à sociedade que precisamos ser mais solidários.
No início da pandemia, milhões de brasileiros ficaram sem renda devido ao fechamento de atividades consideradas não essenciais pelos governos estaduais e municipais. Parte dos trabalhadores sobreviveu graças às doações de cestas básicas e alimentos pela própria população, que se mobilizou para ajudar quem mais precisava. Instituições filantrópicas, inclusive, ficaram mais fortes durante a pandemia.
Nesse sentido, nossa sociedade deu passos de mudança. E mudança para melhor. Nesta transformação, uma ferramenta que pode ajudar bastante é o cooperativismo. O sistema é um instrumento de mudança da sociedade. É reconhecido por sua integridade, competitividade e capacidade de promover justiça. É um modelo de consumo não só do presente, mas do futuro, pois prioriza interesses comuns, de colaboração e compartilhamento.
Quando as pessoas se juntam, elas conseguem, de maneira harmônica, crescimento profissional e nos negócios. Por isso, uma frase que também ajuda a explicar o cooperativismo é:“Juntos, somos mais fortes!”.Quanto mais as pessoas participam, mais o sistema se fortalece e desenvolve. E, quanto maior, mais benefícios o cooperativismo é capaz de levar às pessoas, não só associados, mas à sociedade de maneira geral.
O cooperativismo tem, entre seus princípios, gestão democrática, compartilhamento de experiências, sustentabilidade, proteção ao meio ambiente, interesse pela comunidade e divisão das sobras entre os associados. Ou seja, é o negócio em que todos ganham. Todos saem vitoriosos da relação capital-trabalho-resultado.
Exemplo é o cooperativismo de crédito. A colaboração mútua promove a redução de custos. Não por acaso, o Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (Woccu) definiu o tema ‘Inspirando esperança para uma comunidade global’ para celebrar, em 15 de outubro, o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito, destacando como o setor está trazendo esperança em um momento de crise.
Lembrando que, no cooperativismo financeiro, todo recurso investido pelos associados é revertido em benefício deles mesmos. A cooperativa trabalha para seus cooperados, formatando produtos e serviços com preços mais justos, personalizados e adequados à sua demanda. Ao final do exercício, o que sobrou (resultado) é distribuído entre os associados. Sem falar queo dinheiro investido e as sobras são revertidos para negócios em sua própria região.
O cooperado tem seu retorno e ainda fomenta as atividades em seu município/região, de maneira legal, segura e ajustando uma engrenagem que movimenta a economia com responsabilidade social. Isso é justiça financeira! Todos os associados são donos, trabalham pelo mesmo bem comum e ainda conseguem melhorias para a comunidade. Quem coopera, cresce!
*Fabrício Modesto Cesar édiretor-presidente do Sicoob Engecred.
Cooperativismo: ferramenta de transformação da sociedade
*