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País pode ter remédio de Alzheimer em 2022

01.12.2020 - 12:07:03
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São Paulo – Fora da corrida mundial pela vacina contra covid, a multinacional americana Biogen tem luta própria: colocar no mercado mundial, o quanto antes, um remédio contra a doença de Alzheimer. No início do mês, a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) avaliou que o aducanumabe apresentou evidências "excepcionalmente persuasivas".

A expectativa é pela aprovação do remédio em março. A companhia não quer se comprometer com prazos para a entrega do remédio no Brasil, mas, levando-se em consideração os trâmites normais do processo, que costuma demorar de 12 a 15 meses, tudo indica que ele poderá estar disponível até o fim do primeiro semestre de 2022. Se tudo continuar seguindo a tendência positiva, será o primeiro tratamento para o mal em décadas e o primeiro a sinalizar ser capaz de retardar sua progressão.

No comando da empresa na América Latina há três meses está o escocês Fraser Hall, que até então era CEO da britânica AstraZeneca no Brasil. "A AstraZeneca é uma companhia extraordinária, mas a minha grande paixão é a neurociência. E neurociência é Biogen", disse ele em entrevista ao Estadão, a primeira que concedeu após a mudança. "A descoberta (do aducanumabe) foi muito emocionante. Se você tem Alzheimer, você não tem nada… não há remédio, não há perspectiva. Acho que essa droga é extraordinária em termos de dar alguma esperança em relação a essa doença devastadora."

Hall também considerou que, quando a medicação for aprovada, deverá haver mais entusiasmo e mais investimentos no segmento. No dia do parecer inicial positivo da FDA, as ações da Biogen dispararam mais de 40% nos Estados Unidos, único local onde a empresa é listada em Bolsa. A avaliação do mercado é a de que, se aprovado, o aducanumabe poderá representar vendas anuais de cerca de US$ 5 bilhões até 2025.

Liberação
O executivo escocês é responsável pelos escritórios de México, Colômbia, Brasil, Argentina e Chile e acompanha também a distribuição dos medicamentos da Biogen em outros países das Américas Latina e Central. Ele lembrou que algumas nações só fazem a liberação de novas drogas quando outros reguladores já o fizeram, enquanto outras têm um processo independente.

"O Brasil, por exemplo, não depende de nenhum outro país. A Anvisa revisa as informações disponíveis (para tomar sua decisão)", comparou o executivo, citando que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária costuma ter dois processos: um caminho mais rápido, que costuma levar em torno de nove meses, e um considerado normal, que dura em torno de 12 meses, além de mais cerca de três meses de avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Tem sido uma "dura jornada" a busca por uma medicação para o Alzheimer, conforme o diretor-geral da Biogen Latam, principalmente em um momento em que todos os olhos do mundo estão voltados para a descoberta de uma vacina contra a covid-19. "Esperançosamente, haverá mais drogas para o Alzheimer entrando no pipeline, mas, por enquanto, o aducanumabe é o mais avançado sobre o qual se tem mais informação", afirmou. "Ele funciona. Acreditamos que ele funciona."

Para expandir ao máximo a distribuição do medicamento, Fraser mantém a proximidade com as diferentes administrações da região. "Esta doença é uma questão de saúde pública, que afeta muitas e muitas pessoas diferentes e os governos são realmente uma chave no longo prazo, então, estamos próximos dos governos e das agências", explicou.

O seu papel à frente da farmacêutica na América Latina será o de expandir o portfólio de ofertas da Biogen na região. "Uma coisa que queremos fazer é facilitar o acesso de nossos remédios aos pacientes na América Latina." O executivo também disse ter como meta ampliar a participação de cientistas latino-americanos no quadro da empresa. Do lado dos negócios, no entanto, não está prevista a abertura de novos escritórios na região nem do capital da companhia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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