A 14ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás (Fica 2012) terminou no último domingo após a magnífica apresentação de Caetano Veloso. Posso estar com a visão turva de quem enxergou o processo todo de dentro, das entranhas. Posso não ser o cara mais apropriado para tal análise. Posso ainda ser extremamente parcial no meu julgamento. E me desculpe, caro leitor, caso algum dos indícios acima estejam prejudicando minha reflexão. Mas, ao que me parece, o Fica 2012 foi um sucesso de crítica e público. O recorde de 140 mil presentes em todo evento aliado ao balanço de opiniões colhidas nas redes sociais me induz a essa afirmativa. Contudo, repito, estou longe de ser o mais indicado para tal função.
Se o festival foi mesmo esse sucesso que aparenta ter sido, por ter trabalhado na organização, arrisco alguns chutes sobre as razões de tamanha boa repercussão. E se você discorda da análise geral ou de um ou mais pontos que listo abaixo, por favor, não se acanhe! Me convença do contrário, certo?
1- Envolvimento da comunidade local – nas primeiras edições de Fica, uma crítica constante era a completa exclusão dos moradores da antiga capital no festival. Alegavam que o Fica era uma espécie de nave espacial que pousava no centro histórico, bagunçava tudo durante uma semana e depois se retirava sem deixar nada, sem ouvir ninguém que ali morava, sem diálogo algum com a comunidade. Passados alguns anos, teve início um tímido de envolvimento, mas os moradores ficavam somente com funções periféricas, pois a cabeça do festival não era vilaboense. Hoje, tal panorama se inverte. O projeto Fica na Comunidade foi inteiramente pensado, curado, pautado e formatado pela própria população de Goiás. Com isso, a cidade abraçou o Fica como nunca havia acontecido em sua história.
2- Coerência entre prática e discurso – Todos sabem que o Fica é um festival no qual a temática ambiental pauta sua própria existência. Nesse ano, essa proposta foi radicalizada. Diminuição da papelada, cobrança de compromisso ambiental por parte das empresas fornecedoras, reforço na equipe do Fica Limpo… Tudo isso aumentou o lastro do festival com seu pilar ambiental.
3- Não ter medo do novo – Uma nova equipe que está na produção se propôs a não ter medo de ousar em novos espaços e ações para o Fica. Isso oxigenou o festival e mostrou que em time que está ganhando você mexe sim. Se está ganhando, pode virar goleado com as mexidas certas. Acho que esse foi o caso do Fica.
4- Abuse de quem entenda do que está fazendo – parece óbvio, mas se você tem no time alguém que é craque no meio ambiente, escale o cara para uma ação que se vincule à sua especialidade. Ali ele poderá render tudo que é possível. Como eu disse, esse fator é elementar, mas nem sempre foi observado. Em 2012, cada um foi colocado na função em que poderia contribuir ao máximo para o sucesso do Fica.
5- Não prestar atenção nas fofocas – em qualquer tipo de atividade humana, papinho furado sempre existe. Em uma produção da proporção do Fica, a conversinha fiada pode adquirir dimensões homéricas. O blá-blá-blá foi simplesmente ignorado e tocamos o bonde adiante com trabalho quando qualquer ruído surgia. Acredito que isso foi fundamental para o resultado positivo. Com essa lógica de trabalho, o Fica 2012 teve seu êxito consolidado.
Como esse deu tão certo, já não estou me aguentando de entusiasmo para bolar e trabalhar no Fica 2013. Espero que no que vem consigamos superar o alto paradigma colocado pela edição de 2012.