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Acabou a graça do futebol

05.07.2012 - 10:51:10
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Ontem foi definitivamente o fim de uma era. O Corinthians levantou a taça de campeão da Libertadores da América e colocou um ponto final na zoação que cercava o clube em relação a esse título. O bando de loucos vai para Tóquio disputar o Mundial e, se tudo der certo, fará a final em dezembro contra o Chelsea. Agora, dos chamados 12 maiores clubes do Brasil, somente Atlético Mineiro, Fluminense e Botafogo não tiveram a honra de erguer esse cobiçado troféu. Preparem os ouvidos torcedores desses clubes! Agora toda carga de piadinhas ficará com vocês.

Se bem que a gozação não atingirá nem um décimo da que os corintianos enfrentavam por conta da ausência dessa conquista na extensa galeria do Parque São Jorge. O Corinthians é daqueles clubes “ame-o ou deixe-o”, do tipo que se você não torce, tem raiva. Times populares têm essa característica. Com o Timão, isso é elevado à enésima potência. Também sou dos que torceram contra (ontem e sempre) o Corinthians. Mas nem sempre foi assim.

Quando comecei a me ligar em futebol, na década de 1980, meu time de coração, o Goiás, surfava uma onda tranquila. Não tinha ideia da rivalidade conta o Vila Nova, o que foi despertar em meu coração só em 1989. Eu tinha um receio do Atlético Goianiense, mas nada que pudesse ser considerado uma rivalidade efetiva, de eu torcer contra e tal. O primeiro time que me casou antipatia e me levou a torcer sempre contra foi o Vasco da Gama. Tenho simpatia pelo Flamengo e um grande amigo que morava no meu prédio, o Marcos, era vascaíno. Das piadinhas que rolavam entre nós veio esse sentimento contrário ao Bacalhau.

Nessa época, o futebol de São Paulo me era completamente indiferente. Não sentia absolutamente nada pelos quatro grandes, a favor ou contra. Ignorava a terra de Borba Gato. Na final do Brasileirão de 1990, até torci pelo Corinthians na final contra o São Paulo. Me sensibilizei com o time que ainda não tinha títulos nacionais. Comemorei o gol do Tupãzinho, junto do meu avô, tio e primo – esses sim corintianos fanáticos. Mas aí a história começou a ficar ostensiva. Os caras começaram a ganhar mais e mais títulos, meu primo começou a me zoar demais com a má (péssima?) fase que o Flamengo entrou e a situação mudou de figura. Entrei para o time dos secadores convictos.

A rivalidade contra Vila Nova e Vasco esmoreceu de uns tempos para cá. O Vila está tão capenga que não sinto mais prazer nas derrotas do clube nem mesmo para meu time. Torço para que o Vila volte a ser grande e eu sinta novamente rivalidade pelo tradicional clube de nosso estado. E não vejo bala no Dragão para substituir esse posto regional. Em relação ao Vasco, percebi que o futebol carioca é tão pequeno que não consegue disputar de verdade contra os paulistas. Fora o Flamengo, os outros três chamados grandes já disputaram a série B, todos estão baqueados por péssimas administrações e se conquistam um ou outro título nacional, tem mais a ver com circunstância do que com planejamento. Digo mais: em certos momentos, até simpatizo por Vasco, Fluminense e Botafogo contra paulistas e demais clubes latinos.

Por outro lado, peguei ojeriza pelo São Paulo. Nunca sei para quem torcer quando o tricolor paulista joga contra o Corinthians. Isso aconteceu por conta do excesso de títulos que o clube do Morumbi ganhou nos últimos 20 anos. Quando alguém começa faturar tudo, naturalmente quem não gosta passa a torcer contra. Além disso, existe uma assepsia excessiva em tudo que envolve o São Paulo que parece que não combina com futebol. Mesmo com a maré baixa do tricolor nos últimos anos, essa antipatia não passou. Logo, estou sempre secando São Paulo e Corinthians. Com relação a Santos e Palmeiras, sou indiferente.

Li o texto do publicitário Anderson Milhomem na coluna do meu amigo Élder Dias e concordei com o que ele disse. Nós, outros torcedores, temos inveja do jeito corintiano de ser. Na alegria ou na tristeza, os caras são mesmo esse bando de loucos que eu também queria ser, que também queria que minha torcida fosse. Não somos. Paciência. Bola adiante.

Mas eu não vim até aqui para desistir agora. Se é só isso que resta, vou me apegar com todas as forças. Já que com o Boca não deu, o jeito agora é “vai pra cima deles, Chelsea!”.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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