Logo

Brasil tem quase 30 mil novos casos de hanseníase por ano

25.01.2021 - 18:26:33
WhatsAppFacebookLinkedInX
Rio de Janeiro – Manchas brancas ou avermelhadas pelo corpo, sensação de dormência e não sentir calor ou frio são sintomas de uma doença que tem cura mas ainda é estigmatizada e negligenciada por muitos brasileiros: a hanseníase.
 
No Brasil, foram 312 mil novos casos registrados nos últimos dez anos, o que coloca nosso país na segunda posição no ranking mundial da doença, atrás da Índia. Aqui, a média é de 30 mil novos casos por ano. O número vem se mantendo com uma discreta queda, mas ela ainda não é considerada significativa para se dizer que a doença está em declínio, destacou o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Heitor Gonçalves, em entrevista à Agência Brasil.
 
Atenção aos sintomas
O presidente da SBD, diz que, mesmo áreas sem manchas, em que a pessoa se queime e não perceba, ou que se machuque e não sinta dor, indicam falta de sensibilidade no local. Isso é provocado por lesões nos nervos causadas pela hanseníase. “Esses casos de mancha, dormência ou insensibilidade são suspeitos e necessitam formalmente de uma assistência para diagnóstico médico clínico”, observou.
 
O período de incubação da hanseníase, desde o momento em que a pessoa entra em contato com a micróbio até a doença aparecer, vai de dois até dez anos pois a bactéria responsável pelos sintomas se multiplica muito lentamente. Por isso, a doença atinge muitas crianças e jovens. “Quanto mais jovem a pessoa, mais anos ela vai viver e mais chances tem de adoecer”, afirma Gonçalves.
 
Do total dos 312 mil registros feitos de 2010 até 2019, 30% foram diagnosticados com algum grau de incapacidade física, ou seja, apresentavam perda de força ou da sensibilidade ou ainda deformidades visíveis nas mãos, pés ou olhos, o que compromete o trabalho ou a realização de atividades do dia a dia, alertou o especialista.
 
Para o presidente da SBD, Mauro Enokihara, a detecção e o tratamento precoces da doença são fundamentais para que o paciente possa se tratar e não apresente sequelas, além de diminuir a chance de transmissão para outras pessoas, em especial aquelas com as quais convive.
 
Incidência e transmissão
Heitor Gonçalves explicou que o maior fator de risco para a hanseníase são condições socioeconômicas de aglomerações. Um exemplo são as deficiências de habitação que fazem com que mais pessoas morem juntas e acabem transmitindo a doença por meio da tosse. A aglomeração no transporte é outro fator. Contribuem ainda o baixo nível educacional e a dificuldade de acesso a sistemas de saúde. Eles dificultam diagnóstico precoce e facilitam a transmissão.
 
Gonçalves informou que a maior incidência da hanseníase no Brasil está nas regiões com menor índice de desenvolvimento humano (IDH). O maior número de casos novos identificados na última década está na Região Nordeste (43% do total, ou o equivalente a 132,7 mil pacientes). Em seguida, vêm o Centro-Oeste, com 20% dos casos; o Norte (19%); e o Sudeste (15%). Apenas 4% dos novos pacientes registrados nos últimos dez anos apareceram na Região Sul do país. O vice-presidente da SBD chamou a atenção, entretanto, que, no Rio Grande do Sul, se perdeu a cultura de buscar casos de hanseníase e de se divulgar a doença no estado. Com isso, pacientes chegam nos médicos para diagnóstico já com incapacidade física. “Essa é uma sequela da falsa eliminação”.
 
Preconceito
O presidente da SBD esclareceu que menos da metade dos pacientes com hanseníase transmite a doença, mesmo sem tratamento, porque mais de 50% têm imunidade razoável contra o micróbio.  A transmissão também não é tão fácil como muitos pensam. Segundo Gonçalves, “o bacilo não salta de dentro da pele do doente para fora”. Isso significa que tocar a mão de uma pessoa doente não transmite hanseníase. É preciso que o doente tenha um ferimento na pele, bem como a outra pessoa, e que esses ferimentos se encontrem para que o bacilo passe de um para o outro. Por isso, o dermatologista afirmou que é difícil a transmissão pela pele. O principal fator de transmissão é a tosse, reiterou.
 
De acordo com o Ministério da Saúde, a hanseníase acomete mais os homens do que as mulheres. Nos dez anos compreendidos entre 2010 e 2019, foram detectados 172.659 casos novos entre pessoas do sexo masculino e 139.405 em mulheres. Essa diferença, contudo, está diminuindo, indicou o vice-presidente da SBD. O que ocorre, “provavelmente, é que o homem ainda se expõe mais que as mulheres”, avaliou. Os homens, além disso, não têm costume de ir ao médico, como as mulheres. Considerando as classes sociais mais desfavorecidas, os homens saem mais do que as mulheres. “Esse talvez seja o motivo”, estimou o dermatologista
 
Campanha
Gonçalves afirmou que a SBD tem como princípio e missão resgatar seu papel na abordagem das doenças negligenciadas que acometem a pele. A principal delas é a hanseníase. Há também a leishmaniose, sífilis, entre outras.
 
Em apoio à mobilização do Ministério da Saúde, os dermatologistas brasileiros farão circular entre médicos, pacientes e outros profissionais da saúde informações de utilidade pública preparadas por especialistas da SBD, descrevendo sinais e sintomas da hanseníase e orientando sobre onde buscar diagnóstico e iniciar o tratamento. A campanha do Janeiro Roxo, criada no Brasil em 2016, aborda também a necessidade de se combater o estigma e o preconceito contra as pessoas que têm a doença.
 
O tratamento para a hanseníase é gratuito no país e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes podem se tratar em casa, com supervisão periódica nas unidades básicas de saúde. A coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD, Sandra Durães, salientou que apesar de ser uma doença infecciosa que pode levar a incapacidades físicas, seu tratamento precoce promove a cura. Segundo enfatizou, a prevenção consiste no diagnóstico e tratamento precoces, porque isso ajuda a evitar a transmissão e o surgimento de novos casos. (Agência Brasil)
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Théo Mariano

*

Postagens Relacionadas
Saúde
27.02.2026
Doses mais altas de Mounjaro chegam ao Brasil em março

São Paulo – A farmacêutica Eli Lilly anunciou nesta sexta-feira, 27, que concentrações de 12,5 mg e 15 mg de Mounjaro serão disponibilizadas no Brasil a partir da segunda quinzena de março. Com isso, o País passará a contar com todas as doses disponíveis do medicamento: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 […]

sequenciamento de DNA
26.02.2026
Nova tecnologia do SUS reduz tempo de diagnóstico de doenças raras

Brasília – O Sistema Único de Saúde (SUS) vai contar com uma tecnologia para agilizar e deixar mais preciso o diagnóstico de doenças raras. A estimativa é que nova plataforma de sequenciamento completo de DNA que vai ser ofertada na rede pública atenda até 20 mil demandas de todo o Brasil por ano e reduza […]

diagnóstico e tratamento
25.02.2026
Prefeitura amplia projeto voltado a doenças dos olhos em goianienses com diabetes

A Redação Goiânia – A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), retomou e ampliou o projeto “De Olho na Vida”, para diagnóstico e tratamento precoce das doenças dos olhos em pacientes com diabetes. Na terça-feira (24/2), a secretaria promoveu um encontro para apresentar o projeto aos distritos sanitários da capital, […]

Vida e saúde
25.02.2026
Goiás tem cinco casos suspeitos de mpox

Ludymila Siqueira Goiânia – Goiás tem cinco casos suspeitos de mpox, doença causada por um vírus que pertence à família dos Ortopoxvirus, do mesmo grupo da varíola. Em 2026, o Estado registrou 15 notificações, sendo que 10 foram descartadas. Conforme relatado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-GO) à reportagem do jornal A Redação, não […]

Saúde
24.02.2026
Butantan antecipa entrega de 1,3 mi de vacinas contra dengue ao SUS

Brasília – O Instituto Butantan anunciou nesta terça-feira (24) que antecipará para o primeiro semestre de 2026 a entrega de 1,3 milhão de doses da vacina contra dengue Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde (SUS). Inicialmente. o lote seria entregue no segundo semestre deste ano. Com o novo prazo, serão distribuídas ao todo 2,6 milhões […]

Saúde
24.02.2026
Prefeitura de Goiânia detalha convocação de 798 médicos para atuação na rede municipal

A Redação Goiânia – O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, apresentou o balanço do novo credenciamento médico da prefeitura de Goiânia, nesta terça-feira (24/2), no Paço Municipal. Na coletiva, foram detalhados os avanços no processo de contratação e o impacto das medidas adotadas para garantir a manutenção do atendimento em toda a rede. A […]

Vida e saúde
24.02.2026
Prefeitura de Goiânia prevê contratação de até 1,8 mil médicos em 2026

Ludymila Siqueira Goiânia – A Prefeitura de Goiânia apresentou, na manhã desta terça-feira (24/2), um balanço do credenciamento para contração de novos médicos para composição do quadro da rede municipal de saúde segundo edital publicado em 2025. Ao todo, 2.934 profissionais se inscreveram, destes 798 já foram convocados. Ao todo, 1,8 mil médicos devem ser […]

Saúde
22.02.2026
Laboratório da rede pública estadual de Goiás conquista selo máximo de qualidade

A Redação Goiânia – O Hospital Estadual de Trindade (Hetrin), obteve 100% na avaliação do Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ), coordenado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). O selo representa o mais alto reconhecimento à precisão e à confiabilidade dos exames laboratoriais. A unidade, localizada na Região Metropolitana de Goiânia, mantém o […]